Estudos de DNA no Sudário apontam passagem pelo Oriente Médio, mas não autenticam relíquia

Publicado em: 2 de abril de 2026

Estudos de DNA no Sudário apontam passagem pelo Oriente Médio, mas não autenticam relíquia

Análises genéticas da Universidade de Pádua revelam predominância de material do Oriente Médio e sugerem contato com o Mar Morto; pesquisas, porém, não comprovam ligação com Jesus.

Uma nova pesquisa liderada pelo geneticista Gianni Barcaccia, da Universidade de Pádua, analisou vestígios de DNA coletados do Sudário de Turim e concluiu que mais da metade do material genético humano identificado tem origem no Oriente Médio. Cerca de 38% das linhagens são de origem indiana, enquanto as europeias representam menos de 6% do total.

Os cientistas também encontraram o haplogrupo H33, comum entre populações do Levante, como os drusos, e detectaram microrganismos adaptados a ambientes de alta salinidade, semelhantes aos do Mar Morto. Esses achados sugerem que o tecido pode ter sido armazenado em condições similares às daquela região, o que reforça a hipótese de circulação pelo Oriente Médio.

Os pesquisadores destacam que os resultados não comprovam que o sudário tenha sido usado para envolver o corpo de Jesus Cristo, mas oferecem pistas sobre sua trajetória histórica. A presença de linhagens indianas, por exemplo, pode estar ligada ao comércio antigo de linho de alta qualidade entre o Vale do Indo e o Mediterrâneo.

Saiba mais:
O Sudário é mencionado pela primeira vez na França em 1354 e foi denunciado como falso pelo bispo de Troyes em 1389. Em 1988, testes de carbono-14 em três laboratórios independentes dataram o tecido entre 1260 e 1390, mas essa conclusão é contestada por pesquisas recentes. Um estudo de 2022, baseado em raios X, sugeriu que o linho poderia ter cerca de 2.000 anos, compatível com a época de Jesus. A Igreja Católica não endossa nem rejeita oficialmente a autenticidade da relíquia, guardada na Catedral de Turim desde 1578. Em 2018, testes de datação por espectroscopia infravermelha também apontaram divergências em relação ao carbono-14, reabrindo o debate científico. Novos estudos buscam isolar possíveis contaminações biológicas que teriam afetado as amostras usadas nos anos 1980. O Vaticano autorizou, em 2019, uma nova análise microquímica das fibras, ainda em andamento. Cientistas defendem a criação de um protocolo internacional para reavaliar o sudário com técnicas não destrutivas. A relíquia atrai milhões de peregrinos e é considerada, mesmo sem comprovação, um dos símbolos mais poderosos da fé cristã.

  • Banner
  • Banner
  • Banner
  • Banner
  • Banner
  • Banner
  • Banner
Compartilhe essa notícia nas redes sociais!
  • Banner Mobile
  • Banner Mobile
  • Banner Mobile
  • Banner Mobile
  • Banner Mobile
  • Banner Mobile
  • Banner Mobile
  • Banner Mobile
  • Banner Mobile
  • Banner Mobile
  • Banner Mobile
  • Banner Mobile