Publicado em: 3 de janeiro de 2026
Presidente norte-americano afirma que gestão será provisória, mas não especifica prazos para transição de poder
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou que seu país assumirá o governo da Venezuela após a captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro, no sábado (3). Em coletiva no clube Mar-a-Lago, na Flórida, Trump afirmou que os EUA governarão a nação “até que possam fazer uma transição segura, adequada e sensata”, sem estimar por quanto tempo isso durará.
Sobre o futuro político do país, Trump foi evasivo. Disse que a oposicionista e Prêmio Nobel da Paz de 2025, María Corina Machado, “não tem apoio interno nem respeito”, apesar de seu secretário de Estado, Marco Rubio, manter diálogos com ela e com a vice-presidente de Maduro, Delcy Rodríguez. Em sua fala, o mandatário invocou a Doutrina Monroe, de 1823, para reafirmar que “o domínio americano no Hemisfério Ocidental nunca mais será questionado”.
Trump também anunciou que empresas petrolíferas dos EUA começarão a operar na Venezuela, alegando que a infraestrutura do setor, construída com know-how americano, foi “roubada”. Sobre Maduro, afirmou que o líder será levado a Nova York para julgamento, mas não deu datas. Questionado sobre a notificação prévia ao Congresso sobre a operação, justificou que o aviso foi dado após o fato para evitar vazamentos.
Saiba mais:
A referência à Doutrina Monroe por Trump resgata um princípio central da política externa dos EUA no século XIX, que declarava a América Latina como zona de influência exclusiva dos Estados Unidos. No século XX e XXI, essa doutrina foi invocada para justificar diversas intervenções, diretas e indiretas, na região. A última grande intervenção militar dos EUA no Caribe ocorreu em 1994 no Haiti. A declaração sobre governar um país soberano até uma “transição adequada” também ecoa operações passadas, como a administração temporária do Panamá após a invasão de 1989 e a ocupação do Iraque a partir de 2003.