Publicado em: 10 de março de 2026
Estudo nacional coordenado pela UFMG coleta dados para orientar políticas públicas
A região Sul de Santa Catarina, por meio do curso de Fisioterapia da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) em Araranguá, participa do Registro Brasileiro de Paralisia Cerebral (RB-PC). A iniciativa inédita, coordenada pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), reúne informações clínicas, educacionais e sociais de crianças, adolescentes e adultos com a condição em todo o Brasil. Em Santa Catarina, a Fundação Catarinense de Educação Especial (FCEE) também integra o estudo.
O levantamento busca identificar as causas mais frequentes, os tipos predominantes, a idade de início das terapias e as características regionais da paralisia cerebral. As entrevistas são realizadas presencialmente ou por videochamada com os próprios participantes ou seus familiares. Na FCEE, foram mapeados 37 casos entre educandos, ex-educandos e servidores em 2025, trabalho conduzido pelos profissionais Marcelo Dias e Ana Paula Cruz Ricci, do Centro de Reabilitação Ana Maria Philipi.
Dados parciais do período de agosto de 2024 a janeiro de 2025, com 591 registros nacionais, indicam que 42,5% das pessoas com paralisia cerebral não são alfabetizadas, 50,3% nasceram prematuras e 71,6% tiveram lesões cerebrais no período gestacional ou até 28 dias após o nascimento. As informações são essenciais para embasar políticas públicas mais eficientes nas áreas de saúde, educação e inclusão social.
Saiba mais:
A paralisia cerebral é a causa mais comum de deficiência motora na infância, afetando cerca de 2 a cada 1.000 nascidos vivos no Brasil. As lesões neurológicas podem ocorrer antes, durante ou após o parto, e os sintomas variam de leves a graves, incluindo comprometimentos motores, cognitivos e sensoriais. A criação de um registro nacional permite conhecer a real dimensão da condição no país, identificar disparidades regionais e direcionar recursos para reabilitação e ensino, além de facilitar a participação do Brasil em redes internacionais de pesquisa sobre o tema.