Publicado em: 6 de março de 2026
Compartilhamento de informações inclui localização de navios e aeronaves americanas, em um esforço descrito como “abrangente” por fontes ouvidas pelo ‘Washington Post’.

A Rússia está repassando ao Irã informações de inteligência para auxiliar Teerã na localização de alvos militares dos Estados Unidos no Oriente Médio, em meio à escalada do conflito na região. A revelação, publicada pelo jornal “The Washington Post” nesta sexta-feira (6), foi confirmada por três fontes familiarizadas com o assunto, que descreveram a iniciativa russa como um “esforço bastante abrangente”. Os dados compartilhados incluiriam a posição de navios de guerra e aeronaves americanas, crucial para os ataques retaliatórios iranianos.
De acordo com as fontes, a capacidade iraniana de localizar as forças dos EUA por conta própria foi degradada desde o início da ofensiva conjunta liderada por Estados Unidos e Israel, no último sábado (28). O conflito teve início com bombardeios que mataram o líder supremo iraniano, Ali Khamenei, e outras autoridades. Desde então, o Irã lançou dezenas de ataques com mísseis e drones contra instalações militares americanas em países como Kuwait, Bahrein e Catar, buscando impor um custo elevado a Washington e seus aliados.
A Casa Branca minimizou o impacto do suporte russo, afirmando que as forças americanas estabeleceram “domínio total” sobre o Irã e que a capacidade de retaliação iraniana está em declínio. Oficialmente, o Kremlin se limitou a declarar que mantém diálogo com a liderança iraniana e classificou os ataques ocidentais como uma “agressão armada não provocada”. A assistência de Moscou, ainda que indireta, coloca Rússia e EUA em lados opostos no conflito, contrastando com a tentativa de aproximação entre os presidentes Vladimir Putin e Donald Trump nos últimos meses.
Saiba mais:
A aliança entre Rússia e Irã se aprofundou significativamente nos últimos anos, impulsionada pela guerra na Ucrânia, onde Teerã fornece drones e mísseis a Moscou . Em 2025, os dois países assinaram um acordo de parceria estratégica, que inclui a cooperação para enfrentar ameaças comuns, embora sem a cláusula de defesa mútua presente no pacto da Rússia com a Coreia do Norte . O vazamento da inteligência russa ocorre num momento em que cerca de 40 mil soldados americanos estão posicionados em aproximadamente 19 instalações militares espalhadas pelo Oriente Médio, com as maiores concentrações no Catar (Base Aérea de Al Udeid), Kuwait e Bahrein (sede da Quinta Frota) . A assistência russa, que visa retaliar o apoio ocidental à Ucrânia, já resultou em baixas para os EUA, com a morte de seis reservistas em um ataque de drone no Kuwait .

10 de fevereiro de 2026