Publicado em: 15 de novembro de 2025
Golpe militar que depôs Dom Pedro II completa 136 anos e marca a transição da monarquia para a república; entenda o contexto.
No dia 15 de novembro de 1889, um golpe militar liderado pelo Marechal Deodoro da Fonseca depôs o Imperador Dom Pedro II no Rio de Janeiro, então capital do país. O movimento pôs fim ao período monárquico, que durava desde a Independência em 1822, e instaurou o regime republicano. A Família Real foi exilada às pressas, e o Brasil tornou-se uma República Federativa, onde os chefes de Estado passariam a ser escolhidos por meio de voto.
O desgaste da monarquia foi se acumulando anos antes. A abolição da escravidão em 1888, sem indenização, alienou as elites agrárias. Os militares, fortalecidos após a Guerra do Paraguai (1864-1870), estavam insatisfeitos com a falta de voz política. Além disso, ideais republicanos ganhavam força, inspirados por movimentos como a Revolução Francesa (1789), que pregavam a queda de monarquias. O Império, visto como arcaico, perdeu seu último pilar de sustentação.
Embora tenha inaugurado a República, o novo sistema não promoveu mudanças sociais profundas. Deodoro da Fonseca, mesmo relutante, tornou-se o primeiro presidente. A primeira Constituição republicana foi promulgada em 1891, mas o país seguiu com altos índices de pobreza, analfabetismo e uma grande desigualdade social, mantendo no poder as mesmas elites que já dominavam a economia.
Saiba mais:
A Proclamação foi mais um golpe de Estado do que uma revolução popular. Curiosamente, Deodoro da Fonseca, que chefiava o movimento, era monarquista e amigo pessoal de Dom Pedro II. No dia do levante, ele inicialmente hesitou e até apoiou um ministério conservador para substituir o Visconde de Ouro Preto. Foi a pressão de republicanos mais radicais, somada a notícias falsas de que seria preso, que o convenceu a proclamar a República. O povo assistiu a tudo “bestializado”, como descreveu o escritor Aristides Lobo, sem compreender plenamente a mudança em curso.