Publicado em: 30 de janeiro de 2026
Crime ocorrido em 2014 teve como vítima Reni Carlos Masiero, morto a tiros no sítio onde preparava almoço; mandante foi condenada a mais de 19 anos de prisão
Na noite de 22 de fevereiro de 2014, Reni Carlos Masiero, conhecido como “Marronzinho”, foi surpreendido em seu sítio na localidade de Rio Jordão Médio, em Siderópolis, enquanto preparava o almoço que serviria no dia seguinte. Dois frangos estavam sendo limpos na pia da cozinha quando, instantes depois, ele foi abordado na varanda e morto com quatro disparos de arma de fogo. O crime, que causou enorme comoção na região sul de Santa Catarina, teve como mandante a própria esposa da vítima, insatisfeita com o casamento e supostamente em razão de uma traição descoberta.
A investigação da Polícia Civil, conduzida pela Delegacia de Siderópolis, revelou uma trama sinistra envolvendo três participantes. A esposa de Reni, então com 50 anos, teria revelado a intenção de matar o marido a um conhecido da família que devia mais de R$ 100 mil à vítima. Em troca do perdão da dívida, esse intermediário ofereceu-se para organizar o crime e contratou um executor, que recebeu R$ 1.500 para cometer o assassinato. A participação dos três foi comprovada por meio de depoimentos, mensagens trocadas e registros de ligações telefônicas apresentados pelo Ministério Público de Santa Catarina.
Após mais de 11 anos de tramitação processual, o Tribunal do Júri da Comarca de Criciúma condenou os três envolvidos por homicídio duplamente qualificado. A esposa, apontada como mandante, foi sentenciada a 19 anos, 7 meses e 6 dias de reclusão em regime inicial fechado. O intermediário, de 47 anos, que não compareceu ao julgamento e teve a revelia decretada, recebeu pena de 16 anos, 9 meses e 18 dias, enquanto o executor material, de 41 anos, foi condenado à mesma pena de 16 anos, 9 meses e 18 dias. A esposa e o executor já estão recolhidos no sistema prisional, mas o intermediário encontra-se foragido após a expedição de mandado de prisão.
Saiba mais:
Reni Carlos Masiero era casado há 30 anos e deixou quatro filhas, sendo descrito por familiares como empresário de posses, comunicativo e de boa índole. O caso teve início em setembro de 2025 com o julgamento da esposa e do executor, enquanto o julgamento do intermediário ocorreu em novembro do mesmo ano após desmembramento do processo devido a um atestado médico apresentado pelo réu. As qualificadoras reconhecidas pelo Conselho de Sentença incluíram motivo torpe, promessa de recompensa e recurso que dificultou a defesa da vítima, elementos que agravaram as penas dos condenados. Notavelmente, os três acusados haviam sido presos em maio de 2015, mas permaneceram detidos por menos de um mês, aguardando o julgamento em liberdade por mais de uma década. O Grupo de Atuação Especial do Tribunal do Júri (GEJURI) atuou no caso, reforçando a complexidade do processo que envolveu mais de 7 mil laudas de documentos. A demora na conclusão do processo reflete a morosidade do sistema judiciário brasileiro em casos complexos, onde a defesa utilizou todos os recursos disponíveis antes do julgamento final.