Publicado em: 28 de fevereiro de 2026
Medida aprovada pelo Senado é uma vitória para Javier Milei; texto segue para sanção presidencial
O Senado da Argentina aprovou nesta sexta-feira (27) um projeto de lei que reduz a maioridade penal de 16 para 14 anos. A proposta recebeu 44 votos favoráveis, 27 contrários e uma abstenção, configurando mais uma vitória política para o presidente Javier Milei. O texto já havia passado pela Câmara dos Deputados e agora segue para sanção presidencial .
De acordo com a Casa Rosada, adolescentes condenados deverão cumprir pena em espaços separados dos adultos. A prisão em regime fechado ficará restrita a crimes graves, como homicídio, abuso sexual e sequestro, com pena máxima de 15 anos. O governo defendia inicialmente a redução para 13 anos, mas negociou com aliados e fixou a idade mínima em 14 .
O debate sobre o novo Regime Penal Juvenil ganhou força após o assassinato de um adolescente de 15 anos na província de Santa Fé, morto por outros menores em dezembro passado. O caso gerou forte comoção nacional e levou o governo a incluir o tema na pauta do Congresso. A tramitação enfrentou resistência da oposição, que questionou o orçamento previsto de 23 bilhões de pesos para implementar o sistema .
Saiba mais:
A nova lei atualiza um marco normativo que vigorava desde 1980, instituído durante a ditadura militar de Jorge Rafael Videla, e adota o slogan “delito de adulto, pena de adulto” defendido pela ministra Patricia Bullrich . Para crimes com penas inferiores a dez anos, o texto prevê medidas alternativas como prestação de serviços comunitários, reparação financeira e monitoramento eletrônico . Organizações de defesa dos direitos da infância criticam a medida: a defensora nacional Marisa Graham classificou a redução como “um placebo que engana a sociedade”, argumentando que apenas 0,55% dos adolescentes argentinos respondem a denúncias penais . Com a mudança, a Argentina deixa de ter a maior idade de responsabilidade penal da América do Sul, alinhando-se a países como Brasil, onde a imputabilidade começa aos 18 anos, mas a responsabilização é possível a partir dos 12 .