Guerra no Irã: um mês de conflito aprofunda crise na agricultura e ameaça indústria plástica global

Publicado em: 30 de março de 2026

Guerra no Irã: um mês de conflito aprofunda crise na agricultura e ameaça indústria plástica global

Além do petróleo, bloqueio no estreito de ormuz interrompe fertilizantes e matérias-primas para plásticos; nações asiáticas cortam produção e preços disparam.

A guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã completou um mês com um impacto que se estende muito além da alta do petróleo. O fechamento virtual do Estreito de Ormuz – por onde trafegava um terço do comércio global de fertilizantes e volumosa parcela da produção de plásticos – já provoca uma crise silenciosa na agricultura mundial. Especialistas alertam que, mesmo que o conflito termine amanhã, os efeitos na cadeia de suprimentos podem levar meses para serem revertidos, com reflexos diretos no preço dos alimentos e em produtos industrializados que vão de embalagens a componentes eletrônicos .

No setor agrícola, a situação se agravou nas últimas semanas. Cerca de 15% a 20% da produção global de ureia – o fertilizante nitrogenado mais utilizado – estava concentrada no Golfo Pérsico, e a interrupção das exportações, somada aos ataques que danificaram infraestrutura no Catar e na Arábia Saudita, fez os preços dispararem mais de 45% desde o início do conflito . O momento não poderia ser pior: o Hemisfério Norte está em pleno preparo para o plantio da safra de primavera, e a escassez de insumos ameaça reduzir colheitas de milho, trigo e soja nos próximos meses. A isso se soma a suspensão das exportações de fertilizantes por países como Turquia e Indonésia, além das restrições já impostas pela China, em um movimento que especialistas classificam como “tempestade perfeita” para a segurança alimentar global .

A indústria de plásticos também sofre um colapso silencioso. O Oriente Médio responde por cerca de 15% da produção global de polietileno, e o bloqueio no Golfo Pérsico, somado aos ataques que atingiram o Porto de Jebel Ali, em Dubai – um dos principais hubs de exportação de derivados petroquímicos –, deixou a cadeia de suprimentos em frangalhos . Na Ásia, que importa mais de 60% da nafta (matéria-prima para plásticos) do Oriente Médio, dezenas de empresas declararam force majeure e reduziram sua produção. A chinesa Sinopec cortou sua taxa de processamento em mais de 10% em março, enquanto gigantes como a sul-coreana Yeochun NCC e a indonésia Chandra Asri suspenderam contratos por falta de matéria-prima . Nos Estados Unidos, fabricantes como Dow Chemical e LyondellBasell aproveitam a crise para aumentar preços e expandir margens .

Saiba mais:
A escala da destruição na infraestrutura energética do Golfo Pérsico começou a ser dimensionada nos últimos dias. De acordo com o Ministro das Finanças da França, entre 30% e 40% da capacidade de refino da região foi danificada ou destruída pelos ataques retaliatórios do Irã, que miraram instalações na Arábia Saudita, Kuwait, Catar e Emirados Árabes Unidos . Estima-se que cerca de 11 milhões de barris por dia de produção de petróleo e derivados estejam fora de operação, além da perda de até 25% da produção de gás natural liquefeito (GNL) do Catar para todo o ano de 2026 . O complexo de Ras Laffan, coração da indústria de GNL e também responsável por cerca de um terço do hélio mundial – gás essencial para a fabricação de semicondutores e ressonâncias magnéticas –, sofreu danos que podem levar meses para ser totalmente reparado . Analistas alertam que, mesmo com um cessar-fogo imediato, a reativação das plantas petroquímicas e a retomada do fluxo de navios não será rápida: trata-se do maior choque na cadeia de suprimentos petroquímica desde a crise do petróleo na década de 1970, com potencial para manter os preços dos plásticos e fertilizantes elevados por um período prolongado, afetando desde a indústria automotiva até o custo final dos alimentos nas prateleiras dos supermercados .

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