Publicado em: 22 de março de 2026
Com delação de Daniel Vorcaro iminente, aliados de Lula e lideranças do PP e União Brasil buscam blindagem e levantam documentos para justificar relações com o banqueiro.

A expectativa pela delação premiada do banqueiro Daniel Vorcaro acendeu um sinal de alerta no Palácio do Planalto e entre as principais lideranças do Centrão. Em meio a um clima de apreensão, parlamentares e integrantes da cúpula partidária já articulam estratégias para minimizar o desgaste político e eleitoral. Enquanto o governo tenta direcionar o foco do escândalo para a oposição, aliados de Ciro Nogueira (PP) e Antonio Rueda (União Brasil) passaram a reunir documentos que, segundo afirmam, comprovam a prestação de serviços de advocacia e consultoria ao banco Master, afastando qualquer acusação de conflito de interesses.
Do lado governista, a estratégia tem sido minimizar as conexões de Vorcaro com integrantes do PT da Bahia, como o ministro Rui Costa e o senador Jaques Wagner. A defesa é de que não há fatos concretos que apontem para irregularidades. Paralelamente, aliados do presidente Lula trabalham para associar o caso à direita, batizando o escândalo de “Bolsomaster” nas redes sociais. A avaliação nos bastidores é que a delação, que pode se arrastar por meses, tem potencial para reconfigurar alianças regionais e impactar diretamente as eleições deste ano.
No campo do Centrão, a orientação tem sido evitar declarações públicas até que haja fatos concretos na colaboração premiada. Lideranças do União Brasil afirmam que Rueda já levanta documentos que detalham sua atuação como advogado para o Master, enquanto o ex-prefeito ACM Neto prepara material para justificar os R$ 3,6 milhões que recebeu do banco e da Reag, conforme relatório do Coaf. Ciro Nogueira, por sua vez, declarou que renunciará ao mandato caso seja comprovado seu envolvimento em fraudes na instituição financeira.
Saiba mais:
A delação do banqueiro Daniel Vorcaro é o mais novo capítulo de uma série de investigações que miram as relações entre o setor financeiro e o poder político. A Operação Master, que está sob sigilo, apura possíveis irregularidades que envolvem o Banco Master e a Reag Investimentos, com suspeitas de gestão fraudulenta e lavagem de dinheiro. O caso ganhou novos contornos com a revelação de que a nora de Jaques Wagner recebeu R$ 11 milhões por meio de uma empresa de sua propriedade, e que o ex-ministro Guido Mantega apresentou Vorcaro ao presidente Lula em uma reunião fora da agenda oficial no final de 2024. No âmbito do Centrão, a defesa dos políticos envolvidos busca se ancorar na distinção entre atuação profissional legítima e suposto tráfico de influência. A expectativa é que a colaboração premiada de Vorcaro, caso seja homologada pelo Judiciário, traga à tona novos detalhes sobre as conexões do banqueiro com diferentes esferas do poder, aumentando a pressão sobre os investigados a poucos meses das eleições municipais. O desfecho do caso pode não apenas definir o futuro político dos envolvidos, mas também reconfigurar o tabuleiro de alianças no Congresso e nos estados.