Cidade berço da imigração italiana no Sul de SC ‘renega’ festa de 150 anos

Publicado em: 17 de fevereiro de 2026

Cidade berço da imigração italiana no Sul de SC ‘renega’ festa de 150 anos

Prefeito de Pedras Grandes critica novo decreto da Itália e afirma que evento não deve celebrar vínculo com o país europeu

Pedras Grandes, no Sul catarinense, berço da imigração italiana na região, não pretende celebrar sua ligação com a Itália durante a tradicional Festa da Colônia Azambuja, que se aproxima do marco de 150 anos da imigração. O prefeito Agnaldo Filippi afirmou que não há clima para comemorar o vínculo após a publicação de um decreto-lei italiano que restringe o reconhecimento da cidadania.

A decisão do município é uma resposta direta ao decreto-lei nº 36/2025, publicado em maio do ano passado, que passou a limitar o título de cidadão italiano apenas a descendentes de primeira e segunda geração. A medida atingiu profundamente os milhares de brasileiros com ascendência italiana, especialmente no Sul do país, onde antes não havia limite geracional para o pedido de cidadania.

Apesar da posição da prefeitura, a 5ª edição da Festa da Colônia Azambuja, que celebra a proximidade dos 150 anos da imigração, deverá ocorrer normalmente em 2026. Segundo o prefeito, o evento é organizado por uma comissão independente, sem vínculo com a administração municipal, e manterá as tradicionais atrações culturais, religiosas e gastronômicas de origem italiana.

Saiba mais:

A Colônia Azambuja, fundada em 1877, foi um dos primeiros e mais importantes núcleos de povoamento italiano no Sul de Santa Catarina, recebendo centenas de famílias vindas principalmente do Vêneto e da Lombardia. O descontentamento da atual gestão municipal reflete um sentimento mais amplo: estima-se que o novo decreto italiano afete diretamente o direito à cidadania de cerca de 36 milhões de brasileiros, de acordo com a embaixada da Itália no Brasil. A justificativa do governo italiano para a medida, que endurece as regras para o reconhecimento do jus sanguinis (direito de sangue), é o controle migratório e a suposta sobrecarga dos consulados. A decisão gerou controvérsia e mobilização de descendentes na Itália e no Brasil, que questionam a legalidade e o caráter retroativo da norma, acionando tribunais italianos para tentar reverter a restrição.

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