Publicado em: 14 de março de 2026
Braço direito do banqueiro recebia R$ 1 milhão mensal para invadir sistemas e ameaçar adversários; homem de confiança se suicidou na prisão
A Polícia Federal identificou que o banqueiro Daniel Vorcaro transferiu ao menos R$ 24 milhões para Luiz Phillipi Mourão, o “Sicário”, como pagamento por uma série de atividades ilegais. Os valores, encontrados em planilhas de controle de despesas do dono do Banco Master, indicam repasses mensais de R$ 1 milhão ao longo de 2024 e 2025. Entre os serviços prestados estavam a invasão de sistemas de investigação, ameaças a adversários e a remoção de conteúdos negativos sobre o banco nas redes sociais.
A investigação aponta que “Sicário” era o responsável por executar tarefas delicadas para Vorcaro, incluindo a verificação de mandados de prisão contra o banqueiro nos sistemas da Interpol. Em outubro de 2025, um mês antes da primeira prisão de Vorcaro, Mourão acionou um contato, obteve a informação e encaminhou a imagem para o chefe com a mensagem: “A Interpol está limpa. Estamos aguardando o relatório principal do FBI.” O episódio revela a capilaridade do grupo e o acesso a dados sigilosos.
Além de atuar diretamente, “Sicário” coordenava uma rede de pessoas que executavam os serviços ilícitos. Após ser preso na terceira fase da Operação Compliance Zero, no início de março, Mourão cometeu suicídio dentro da cela na Superintendência da PF em Belo Horizonte. Vorcaro segue detido na Penitenciária Federal de Brasília, por decisão do ministro André Mendonça, do STF, que apontou a existência de uma organização criminosa armada sob seu comando.
Saiba mais:
O codinome “Sicário” remete aos assassinos da Roma Antiga que usavam punhais (sicae), e hoje é frequentemente associado a matadores de aluguel. Na investigação, Luiz Phillipi Mourão era apontado como líder operacional de “A Turma”, um grupo descrito pela Polícia Federal como uma milícia particular de Vorcaro. O núcleo incluía um escrivão da PF aposentado, Marilson Roseno da Silva, suspeito de monitorar adversários e organizar a estrutura criminosa, que pode ter recebido R$ 9,6 milhões adicionais para ratear entre integrantes. A falência do Banco Master, decretada pelo Banco Central em novembro de 2025, expôs um rombo bilionário: estima-se que o Fundo Garantidor de Crédito precise desembolsar cerca de R$ 41 bilhões para ressarcir 1,6 milhão de clientes. Em meio às investigações, o STF formou maioria para manter a prisão de Vorcaro, com ministros classificando os integrantes do grupo como “profissionais do crime” que atuavam com “natureza violenta”. A defesa do banqueiro nega as acusações, mas as mensagens recuperadas pela PF seguem revelando a complexidade de um esquema que mesclava fraudes financeiras bilionárias com violência e cooptação de agentes públicos.