Publicado em: 1 de abril de 2026
Com valorização de 70% em 2026, preço do fertilizante chega a US$ 684 por tonelada, pressionado por conflitos no Oriente Médio e alta do gás natural.
Os contratos futuros de ureia alcançaram US$ 684 por tonelada em março de 2026, o maior patamar desde outubro de 2022. A commodity acumula valorização superior a 70% apenas nos primeiros três meses do ano, em um movimento que acende alerta para o mercado global de fertilizantes.
A escalada é impulsionada pelas tensões no Oriente Médio. Restrições impostas pelo Irã no estreito de Ormuz – por onde trafega cerca de um terço dos embarques mundiais de fertilizantes – reduziram o fluxo de produtos. Paralelamente, a alta dos custos do gás natural, insumo essencial para a fabricação da ureia, também comprime as margens e eleva os preços finais.
A ureia é o fertilizante nitrogenado mais utilizado no Brasil, essencial para culturas como milho, algodão e café. O país importa cerca de 85% dos fertilizantes que consome, ficando exposto à volatilidade externa. Com a cotação internacional em patamares de 2022, os preços ao produtor brasileiro já superam os US$ 700 por tonelada (CFR), pressionando os custos de produção da próxima safra. No mesmo período do ano passado, o insumo era negociado a valores cerca de 30% menores, o que deteriora a relação de troca com as commodities agrícolas.
Saiba mais:
A última vez que a ureia registrou níveis semelhantes foi em 2022, após a invasão da Ucrânia, que desencadeou uma crise energética global e elevou os preços do gás natural a máximas históricas. À época, a cotação do fertilizante chegou a superar os US$ 900 por tonelada. De acordo com a Trading Economics, os países do Conselho de Cooperação do Golfo (Arábia Saudita, Catar e Omã) respondem por cerca de um quarto das exportações mundiais de ureia, o que torna o abastecimento global especialmente sensível a qualquer instabilidade na região.

27 de agosto de 2025