Publicado em: 4 de fevereiro de 2026
Operação Seguindo Rastro entra em fase decisiva: oito testemunhas de acusação foram ouvidas na quarta-feira na sala do Tribunal do Júri, enquanto Valdir Fontanella e outros réus só prestam depoimento pessoal no dia 10 de março de 2026
Nessa quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026, o Fórum de Lauro Müller, no Sul catarinense, recebeu a primeira rodada de oitivas da fase de instrução criminal da Operação Seguindo Rastro. Oito testemunhas de acusação do Ministério Público de Santa Catarina foram ouvidas na sala de audiências do Tribunal do Júri, espaço escolhido devido ao grande volume de testemunhas e réus no processo. As audiências marcam o retorno das atividades processuais em um dos casos mais significativos de investigação contra desvios de recursos públicos na história do município.
O prefeito Valdir Fontanella, longe de ser mero testemunha, figura como réu no processo e terá seu interrogatório pessoal agendado apenas para o dia 10 de março de 2026. Nessa mesma data serão ouvidos também o atual vice-prefeito Alcione Andrade Izidoro e o filho do prefeito, Ramiris Fontanella, ambos igualmente réus na ação penal. Fontanella responde por crimes graves, incluindo comando de organização criminosa, fraude em licitação, falsidade ideológica e peculato, que teriam sido cometidos durante seu primeiro mandato.
Antes do interrogatório dos réus, uma nova rodada de oitivas está marcada para o dia 9 de fevereiro, quando outras testemunhas de acusação do Ministério Público deverão comparecer ao Fórum. O processo, que remonta à deflagração da operação em dezembro de 2019, quando Fontanella foi afastado do cargo por 180 dias, investiga desvios de recursos públicos e fraudes em licitações. A expectativa é que, após a conclusão das oitivas e interrogatórios, o caso caminhe para a fase de alegações finais e eventual sentença.
Saiba mais:
A Operação Seguindo Rastro foi deflagrada em 2 de dezembro de 2019 pelo Ministério Público de Santa Catarina e pelo Instituto Geral de Perícias, com nove mandados de busca e apreensão cumpridos em Lauro Müller, Orleans, Criciúma e São José. O nome da operação faz referência aos “vestígios deixados pela trama ilícita” e à proximidade do município com a Serra do Rio do Rastro. Na época, foram apreendidos contratos, planilhas e documentos digitais que compõem a base probatória do processo. O afastamento de Fontanella em 2019 foi decretado por 180 dias e mantido pelo Tribunal de Justiça de Santa Catarina e pelo Superior Tribunal de Justiça, embora o prefeito tenha retornado ao cargo posteriormente e sido reeleito em 2024. Em agosto de 2025, o Ministério Público Eleitoral ofereceu nova denúncia contra Valdir Fontanella, Acione Izidoro, Ramiris Fontanella e outros 13 investigados por compra de votos nas eleições de 2024. A longa duração do processo originário da Operação Seguindo Rastro — mais de seis anos — reflete a complexidade das investigações envolvendo desvios de recursos públicos.

1 de setembro de 2025