Publicado em: 3 de março de 2026
A escalada do conflito entre Estados Unidos e Irã acende um alerta para o bolso do consumidor brasileiro
O agravamento do conflito no Oriente Médio já provocou a primeira reação no mercado internacional de petróleo. Com os ataques deste final de semana, o preço do barril do tipo Brent disparou na segunda-feira (2), chegando a uma alta de quase 14% durante o dia, fechando em 6,6% e cotado a US$ 77,70. O temor é de que a instabilidade na região, por onde passa cerca de 20% de todo o petróleo do mundo via Estreito de Ormuz, interrompa o fluxo de produção e transporte do produto.
Caso o confronto persista, a pressão por reajustes deve bater à porta da Petrobras. Dados da Associação Brasileira de Importadores de Combustíveis (Abicom) já apontam uma defasagem expressiva: o óleo diesel comercializado pela estatal está R$ 0,73 mais barato que o mercado internacional, a maior diferença desde janeiro de 2025. No caso da gasolina, o preço interno está R$ 0,42 acima da paridade de importação, também no maior patamar do período .
Especialistas ouvidos pela reportagem projetam que, diferente de oscilações pontuais, este pode ser um choque permanente. “A política da Petrobras não prevê reajuste automático, mas a tendência é que a empresa seja obrigada a repassar essa alta para evitar um descolamento ainda maior do mercado externo”, explica o economista Bruno Thiago Tomio, da Furb. O setor de combustíveis acompanha os desdobramentos com cautela, mas admite que o reflexo nas bombas pode ser sentido nos próximos dias se o conflito não for contido.
Saiba mais:
O Estreito de Ormuz, palco da tensão, é um dos pontos mais vigiados do planeta. Cerca de 20 milhões de barris de petróleo cru e derivados passam diariamente por esse canal, o que representa um terço de todo o comércio marítimo da commodity . Após a invasão, o Irã ameaçou fechar a passagem, com líderes da Guarda Revolucionária prometendo “incendiar qualquer embarcação” que tente cruzá-la . A simples ameaça já fez seguradoras retirarem a cobertura de navios na região e elevou o frete internacional, pressionando ainda mais os custos . Analistas alertam que, em um cenário de bloqueio prolongado, o preço do barril pode disparar para patamares entre US$ 100 e US$ 150, um choque comparável às maiores crises do petróleo da história . No Brasil, a situação expõe a fragilidade da nova política de preços da Petrobras, que desde 2023 abandonou a paridade internacional automática, mas segue refém do mercado externo para equilibrar suas contas e garantir o abastecimento .