Sul de SC pode entrar na rota estratégica das terras raras no Brasil

Publicado em: 17 de fevereiro de 2026

Sul de SC pode entrar na rota estratégica das terras raras no Brasil

Estudos apontam que resíduos da mineração de carvão na região podem conter minerais essenciais para a produção de tecnologias como carros elétricos e smartphones

Pesquisas conduzidas pelo Centro Tecnológico Satc (CTSatc) indicam a presença de elementos de terras raras na drenagem ácida de minas e nas cinzas do carvão, materiais antes considerados apenas um passivo ambiental. O projeto, que já recebeu cerca de R$ 1 milhão em investimentos, mapeou aproximadamente 20 pontos em cidades como Siderópolis, Lauro Müller, Urussanga e Criciúma, e agora avança da fase laboratorial para testes em escala piloto.

Caso a exploração se confirme viável, Santa Catarina pode se consolidar como um novo polo de minerais estratégicos. A iniciativa transformaria um problema histórico da região carbonífera em oportunidade econômica, permitindo a extração de elementos como neodímio e praseodímio, fundamentais para a fabricação de ímãs de alta performance usados em turbinas eólicas e motores de veículos elétricos.

O Brasil detém a segunda maior reserva de terras raras do mundo, atrás apenas da China, que domina cerca de 80% do processamento global. “Nossa região tem resíduos de antigas minas que contêm terras raras em pequenas concentrações. Isso representa uma fonte não convencional para extração desses minerais, transformando um passivo em oportunidade”, explica o pesquisador Thiago Aquino, líder do Núcleo de Energia e Síntese de Produtos do CTSatc.

Saiba mais:
O interesse por terras raras cresce em meio a tensões geopolíticas. Em 2025, a China endureceu regras para exportação desses minerais, usados em produtos que vão de celulares a mísseis, elevando o risco de dependência global. Esse cenário abre uma janela de oportunidade para o Brasil, que busca atrair investimentos e desenvolver tecnologia nacional. Em Santa Catarina, além da pesquisa com resíduos de carvão, empresas como Weg, Tupy e Schulz integram o projeto MagBras, uma aliança com 38 companhias para viabilizar a produção de ímãs permanentes a partir de terras raras. Paralelamente, o Serviço Geológico do Brasil (SGB) desenvolve estudos no Vale do Ribeira, abrangendo Santa Catarina, Paraná e São Paulo, para identificar novas ocorrências desses elementos. O país tem cerca de 21 milhões de toneladas em reservas, o que representa 23% do total global, mas ainda não domina a etapa de separação e refino, que é a que mais agrega valor à cadeia produtiva.

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