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“Se você não tem dinheiro, morre de fome”, diz pai que pede comida nas ruas de Gaza para a família

Uma garagem no centro da Faixa de Gaza, é lá que moram há alguns dias Mahmoud, sua mulher e seus filhos. A casa deles foi destruída há alguns meses e eles passaram o inverno na rua, fugindo dos bombardeios israelenses.

A família passou pelas cidades de Gaza, Dir Al Balah, Rafah e Maghazi. “Uma pessoa teve pena de nós e nos acolheu em uma garagem”, disse o pai feliz, apesar de ter perdido tudo, por ter conseguido um teto para sua família.

Outra preocupação é a comida. “Agora é simples, você tem dinheiro, você come. Você não tem dinheiro, você morre de fome. É a fome realmente. Não tem trabalho. Eu sou um simples trabalhador, eu nunca pude economizar dinheiro. Eu sempre trabalhei para alimentar meus filhos. E agora, eu peço comida para as pessoas na rua”, conta.

Os drones israelenses sobrevoam continuamente a Faixa de Gaza. O território é totalmente controlado pelo Exército israelense e os caminhões de ajuda humanitária entram a conta-gotas, enquanto as necessidades são imensas.

“Minha filha mais velha tem seis anos. Eu tenho um menino de quatro anos e um pequeno de dois anos que precisa de fraldas. Ele passou os três últimos meses sem fraldas. Ele fica nu dia e noite, tanto dentro de casa quanto fora. Um pacote de fraldas custava 3 dólares, agora são 50”, diz.

Ajuda alimentar insuficiente
“A ajuda alimentar distribuída em Gaza é insignificante”, lamenta o pai de família. “As rações não são suficientes para alimentar um gato”, explica Mahmoud.

De acordo com a ONU, das 2,4 milhões de pessoas no território, 2,2 milhões estão em risco de fome e sem comida e água potável. Cerca de 1,7 milhão foram deslocadas pelos combates e os ataques israelenses destruíram quase totalmente a infraestrutura no enclave.

Um relatório elaborado por três agências das Nações Unidas indicou, em fevereiro, que pelo menos 90% das crianças palestinas menores de 5 anos sofriam de uma ou mais doenças infecciosas na Faixa de Gaza. O documento relatava que a falta alarmante de alimentos, a desnutrição desenfreada e a rápida propagação de doenças poderiam levar a uma “explosão” no número de mortes de crianças no território palestino em guerra.

Mais de 25 mil mulheres e crianças palestinas foram mortas na campanha militar de Israel na Faixa de Gaza desde o início da guerra, em 7 de outubro, segundo o Pentágono.

Fonte: RFI