Publicado em: 26 de fevereiro de 2026
Melhor colheita dos últimos anos em São Joaquim sofre com perdas enquanto produtores oferecem salário acima da média e benefícios para atrair trabalhadores
A região de São Joaquim, na Serra catarinense, vive um paradoxo nesta safra de maçã. Os pomares produzem frutas vermelhas, graúdas e de alta qualidade, prontas para abastecer o mercado. No entanto, parte dessa produção já começa a cair no chão antes da colheita. O motivo, segundo produtores, não é climático ou fitossanitário, mas a escassez de trabalhadores dispostos a atuar no campo.
Um vídeo gravado por um produtor rural na última quinta-feira, 20 de fevereiro, expõe a dimensão do problema. Nas imagens, é possível ver o chão coberto de maçãs maduras entre as fileiras de árvores carregadas. “Olha a quantidade de fruta caindo e falta mão de obra”, diz ele, enquanto percorre a plantação. De acordo com seu relato, somente naquele pomar há entre 15 e 20 vagas abertas, com salário considerado bom e benefícios incluídos.
O produtor aproveitou a gravação para fazer um apelo direto a quem está desempregado ou recebe benefícios sociais sem ter uma colocação formal. Ele reforça que há trabalho disponível imediato na Serra catarinense, justamente no período mais crítico da colheita. A atividade exige rapidez, pois o ponto ideal da fruta é curto e qualquer atraso compromete a qualidade e amplia os prejuízos.
Saiba mais:
Santa Catarina é o segundo maior produtor nacional de maçãs, atrás apenas do Rio Grande do Sul, e responde por cerca de 30% da safra brasileira. São Joaquim, conhecida como a “capital nacional da maçã”, concentra pomares que dependem intensamente de mão de obra manual durante a colheita, entre janeiro e abril. O problema da falta de trabalhadores rurais não é novo na região: nos últimos dez anos, associações de produtores vêm alertando para o envelhecimento da população no campo e a migração de jovens para centros urbanos. Dados da Epagri indicam que a produção catarinense de maçã deve ultrapassar 500 mil toneladas em 2026, mas perdas por colheita incompleta podem chegar a 15% se o quadro não for revertido. Cooperativas locais tentam atrair trabalhadores de outros estados com promessas de alojamento e salários que variam de R$ 2.500 a R$ 3.500 mensais, além de cestas básicas e transporte. O cenário acende um alerta para a sustentabilidade de uma atividade que movimenta bilhões de reais e sustenta milhares de famílias na Serra catarinense.

13 de janeiro de 2025