Publicado em: 1 de março de 2026
Com taxação reduzida de 50% para 10%, setores como madeira, móveis e metalmecânica comemoram decisão da Suprema Corte, mas ainda lidam com a incerteza gerada por novas ameaças tarifárias de Donald Trump.
A decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos, que na última semana derrubou o tarifaço de 50% imposto pelo governo Donald Trump, trouxe um alívio significativo para os exportadores de Santa Catarina. Desde terça-feira (24), os produtos brasileiros passaram a ser taxados em 10% no mercado americano, uma mudança que deve injetar otimismo em setores-chave da economia catarinense. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) estima um impacto positivo de US$ 21,6 bilhões por ano nas exportações nacionais aos EUA, com base em dados de 2024 .
Em Santa Catarina, os setores de madeira e móveis, duramente atingidos pela tarifa anterior, estão entre os mais beneficiados. Grandes empresas metalmecânicas do estado, como WEG, Tupy, Nidec e Schulz, também respiram aliviadas, assim como indústrias de revestimentos cerâmicos, plásticos, têxteis, barcos de lazer, gelatina e pescados. Apesar do cenário positivo, a Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc) mantém um tom de cautela. O presidente da entidade, Gilberto Seleme, alertou que a reação de Trump, que já ameaça elevar a taxa para 15% globalmente, “aumenta a insegurança nos negócios com os Estados Unidos” .
A orientação da Fiesc para as indústrias catarinenses segue firme no sentido de diversificar mercados. Maria Teresa Bustamante, presidente da Câmara de Comércio Exterior da federação, reforçou a necessidade de as empresas não dependerem excessivamente de um único parceiro comercial. Mesmo com a melhora no curto prazo, a expectativa é de que os negócios com os americanos sejam retomados com mais cautela, especialmente diante da imprevisibilidade do governo Trump, que se estende até janeiro de 2029.
Saiba mais:
Um estudo da organização Global Trade Alert aponta que o Brasil será o país mais beneficiado com a redução da tributação americana, com uma queda média de 13,6% nas tarifas . De acordo com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), cerca de 46% das exportações brasileiras aos EUA (US$ 17,5 bilhões) agora ingressam sem qualquer sobretaxa, enquanto 25% (US$ 9,3 bilhões) ficam sujeitos à tarifa global de 10%, que pode subir para 15% . A nova taxação é baseada na Seção 122 da Lei de Comércio de 1974, um mecanismo diferente do anterior, que foi considerado ilegal pela Suprema Corte por invadir as competências do Congresso .

23 de abril de 2024