Publicado em: 9 de janeiro de 2026
Funcionários da manutenção fecham rodovia de R$ 4 bilhões; obra já teve 12 anos de atraso e custo 800% acima do previsto.
Trabalhadores responsáveis pela manutenção do Contorno Viário da Grande Florianópolis bloquearam a rodovia na altura do km 23, em Palhoça, na manhã desta sexta-feira (9). O protesto, motivado pela falta de pagamento de salários, interrompeu completamente o tráfego e formou longas filas de veículos, até que, por volta das 11h, uma faixa por sentido foi liberada após negociação.
A obra, inaugurada após 12 anos de atraso em relação ao prazo original, é um símbolo de controvérsia no estado. Seu custo final chegou a aproximadamente R$ 3,9 bilhões, um valor superior em mais de 800% ao inicialmente previsto. A concessionária Arteris Litoral Sul, responsável pela administração, não se pronunciou oficialmente sobre as denúncias de inadimplência salarial que motivaram a paralisação.
O ato reacendeu o debate público sobre a gestão da rodovia, com usuários divididos nas redes sociais. Enquanto alguns criticam o bloqueio por prejudicar o direito de ir e vir, outros defendem a medida como única forma de os trabalhadores darem visibilidade à sua causa. A Polícia Rodoviária Federal acompanha o local para garantir a segurança, sem previsão de normalização total do fluxo.
Saiba mais:
O Contorno Viário de Florianópolis, concebido para desafogar o congestionado trecho da BR-101 na Grande Florianópolis, tem uma história marcada por polêmicas. Inicialmente orçado em cerca de R$ 430 milhões e com previsão de entrega para 2013, enfrentou sucessivos adiamentos devido a questões ambientais, judiciais e técnicas. A obra só foi inaugurada em 2025, consolidando-se como uma das mais caras e demoradas da infraestrutura catarinense recente. A concessão à Arteris, no modelo de parceria público-privada (PPP), prevê a operação e manutenção do trecho por 30 anos, um contexto que torna conflitos trabalhistas como o atual um desafio direto à eficácia do modelo.