Publicado em: 19 de fevereiro de 2026
Preço pago ao produtor é menos da metade do custo de produção, inviabilizando a colheita e ampliando prejuízos no campo

A crise na comercialização da cebola levou sete municípios de Santa Catarina a decretarem situação de emergência econômica no setor agrícola. Além de Ituporanga, principal polo produtor, também publicaram decreto as cidades de Atalanta, Imbuia, Chapadão do Lageado, Lebon Régis, Leoberto Leal e Alfredo Wagner. A medida visa reconhecer formalmente a grave perda de renda dos agricultores, que agora enfrentam o drama de descartar toneladas do produto por falta de compradores.
A decisão ocorre após o colapso nos preços pagos aos produtores. Apesar de a safra ter sido considerada positiva em volume, com mais de 160 mil toneladas colhidas na região, o valor médio recebido pelos agricultores ficou em torno de R$ 0,67 por quilo. Em contrapartida, o custo médio de produção é estimado em aproximadamente R$ 1,70 por quilo, o que representa uma diferença superior a 50%. O resultado, segundo produtores, é prejuízo acumulado, aumento do endividamento no campo e imagens de montanhas de cebola sendo jogadas fora.
Com a rentabilidade comprometida, muitos agricultores enfrentam dificuldades para quitar financiamentos, manter funcionários e garantir o fluxo financeiro das propriedades. A alta produtividade registrada nesta safra ampliou a oferta no mercado e pressionou os preços para baixo, cenário que se repetiu nas principais cidades do polo produtor de cebola em Santa Catarina, onde a cultura representa parcela significativa da economia local.
Saiba mais:
Santa Catarina é o maior produtor de cebola do Brasil, responsável por cerca de 30% da safra nacional, com foco na região do Alto Vale do Itajaí. A cultura é cultivada majoritariamente por agricultores familiares, em propriedades com menos de 10 hectares. A oscilação de preços é um problema histórico no setor, agravado pela falta de mecanismos eficazes de regulação de oferta e pela concentração da comercialização em períodos pós-colheita. Especialistas apontam que a ausência de contratos de venda antecipada e a dependência de atravessadores tornam os produtores vulneráveis às variações do mercado. Em tentativas anteriores de conter crises, o governo federal chegou a realizar leilões de Prêmio Equalizador Pago ao Produtor (Pepro), mas a medida não foi acionada nesta safra. A expectativa agora é que os decretos de emergência possibilitem a renegociação de dívidas agrícolas e a abertura de linhas de crédito especiais para socorrer os agricultores e garantir o plantio da próxima safra.