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Publicado em: 27 de março de 2026
Santa Catarina, um dos principais polos exportadores de carne do Brasil, pode ter sua cadeia de suprimentos afetada pela paralisação no estreito de Ormuz
A paralisação do transporte marítimo no Golfo Pérsico, em meio à escalada da guerra envolvendo Israel, Estados Unidos e Irã, acendeu um alerta para a segurança alimentar em toda a região. Em assembleia geral realizada nesta quarta-feira (25), o presidente do conselho da dinamarquesa A.P. Moller-Maersk, Robert Maersk Uggla, destacou que os países do Oriente Médio enfrentam uma “necessidade urgente” de importação de alimentos, especialmente itens perecíveis que dependem de contêineres refrigerados para serem transportados.
O fechamento do Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais estratégicas do mundo, praticamente inviabilizou o tráfego de navios na região, afetando diretamente as cadeias de suprimentos globais. Em resposta à crise, a Maersk suspendeu reservas de carga para diversos portos do Golfo e impôs sobretaxas emergenciais de combustível em escala global para compensar o aumento nos custos operacionais. A empresa rival Hapag-Lloyd estima gastos adicionais entre US$ 40 milhões e US$ 50 milhões por semana devido à crise.
Para o agronegócio brasileiro, especialmente Santa Catarina, que figura entre os maiores exportadores de carne suína e de frango do país, a instabilidade logística representa um risco direto. Com 85% dos alimentos consumidos pelos países do Conselho de Cooperação do Golfo (como Arábia Saudita, Catar e Emirados Árabes) vindos do exterior, qualquer interrupção no fluxo de contêineres refrigerados ameaça tanto o abastecimento local quanto as exportações catarinenses, que dependem da previsibilidade das rotas marítimas para escoar sua produção.
Saiba mais:
O estreito de Ormuz, onde passa cerca de um terço do petróleo transportado por mar no mundo, é um gargalo crítico para a economia global. Além dos combustíveis, a via é essencial para o comércio de bens perecíveis. Dados da Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo) mostram que o Brasil exportou mais de 200 mil toneladas de carne bovina apenas para a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos nos últimos meses. A utilização de contêineres reefer (refrigerados) pela Maersk, líder nesse segmento na região, torna a empresa uma peça-chave para que o produto brasileiro chegue em condições adequadas aos mercados do Oriente Médio, cuja dependência alimentar atinge níveis críticos em situações de conflito.

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