Publicado em: 4 de abril de 2025
Prefeitos de diversos municípios do Sul de Santa Catarina enviaram um ofício às principais autoridades da Itália manifestando preocupação e oposição ao Decreto-Lei n. 36/2025, que altera as regras para o reconhecimento da cidadania italiana.
A iniciativa, liderada pelo prefeito de Pedras Grandes, Agnaldo Filippi, reúne gestores de cidades marcadas pela forte presença da imigração italiana, como Urussanga, Nova Veneza, Criciúma, Treviso, Siderópolis, Cocal do Sul, Treze de Maio, Morro da Fumaça, Orleans, Grão-Pará, Lauro Muller, Araranguá, Tubarão, além de Pedras Grandes.
No documento, endereçado ao presidente da Itália, Sergio Mattarella, ao presidente do Senado, Ignazio La Russa, ao presidente da Câmara dos Deputados, Lorenzo Fontana, e ao ministro das Relações Exteriores, Antonio Tajani, os prefeitos solicitam a rejeição do decreto antes de sua conversão em lei.
Além disso, pedem um debate mais amplo com a participação de parlamentares eleitos no exterior, do Conselho Geral dos Italianos no Exterior (CGIE) e dos Comitês dos Italianos no Exterior (COMITES).
O decreto em questão impõe critérios territoriais e cronológicos mais rígidos para o reconhecimento da cidadania italiana, o que pode dificultar o acesso de milhares de descendentes de imigrantes italianos ao direito que, segundo os prefeitos, representa a continuidade de uma história comum de sacrifício, migração e resiliência.
História e identidade ameaçadas
A colonização italiana no Sul de Santa Catarina teve início em 1877, na localidade de Azambuja, em Pedras Grandes, com a chegada de cerca de 100 famílias vindas do Vêneto, Trentino, Friuli e Lombardia
Ao longo das décadas seguintes, o fluxo migratório deu origem a colônias como Nova Veneza e Grão-Pará, estabelecendo uma comunidade ítalo-brasileira que mantém vivas suas tradições até os dias de hoje.
Os prefeitos ressaltam que a imigração italiana foi fundamental para o desenvolvimento da região, e que o vínculo com a Itália se mantém por meio da língua, da cultura, das tradições e até de parcerias econômicas e empresariais.
O documento enfatiza que a Itália deve permanecer fiel ao princípio de igualdade previsto no Artigo 3 da Constituição Italiana e que a relação histórica entre o país e seus descendentes na América Latina não deve ser comprometida por novas restrições.
“Ajudamos a construir essa história, mesmo à distância, com orgulho, fidelidade e amor. Confiamos que as autoridades italianas saberão preservar essa união e respeito”, finaliza o ofício assinado por 14 prefeitos do Sul catarinense.
Via Portal Sul Agora
12 de novembro de 2024