Publicado em: 14 de abril de 2026
Falta de oferta no campo pressiona valores; consumidor já sente impacto no atacado.

A alta do leite em abril de 2026 tem como principal causa a redução da produção nas fazendas. Em 2025, o excesso de oferta derrubou os preços por meses, desestimulando investimentos dos produtores. Com menos leite disponível, o mercado reage com aumentos que devem se manter no curto prazo.
No atacado de São Paulo, o leite integral chegou a R$ 4,16 por litro em março, alta de 19,3% ante fevereiro. A muçarela também subiu cerca de 7% no mesmo período. Embora o repasse ao varejo ainda esteja em curso, itens básicos como leite UHT e muçarela tendem a ter demanda mais estável, enquanto queijos finos e manteiga podem sofrer queda de consumo.
A dependência brasileira de importações, especialmente de leite em pó da Argentina, continua influenciando os preços internos. Para os próximos meses, a tendência é de alta, mas o consumo fraco e os custos de produção impõem cautela a produtores e indústria em 2026.
Saiba mais:
O setor leiteiro opera em ciclos conhecidos como “vaca magra” (menor produção no inverno, devido à pastagem seca) e “vaca gorda” (maior oferta na safra de verão). Em 2025, o excesso de oferta prolongado fez muitos pecuaristas reduzir o rebanho ou migrar para cultivos mais rentáveis, agravando a retração atual. Historicamente, após períodos de preços baixos, a recomposição da produção leva de seis a oito meses, o que sugere que a alta pode persistir até o segundo semestre de 2026.