Publicado em: 6 de abril de 2026
Sem acostamento e sob risco geológico, o trecho da BR-101 em Santa Catarina mantém rotina de insegurança, e soluções definitivas seguem sem previsão

Há exatos 12 meses, um caminhão-tanque carregado com etanol tombou e pegou fogo no Morro dos Cavalos, em Palhoça, marcando a história de Santa Catarina. O incêndio destruiu 24 carros e três carretas, deixando cinco pessoas queimadas em um cenário que expôs a fragilidade estrutural do trecho. A falta de acostamento, um problema que vem desde a duplicação da rodovia nos anos 90, agravou o caos: o trânsito ficou completamente bloqueado por cerca de 15 horas, impedindo a chegada dos bombeiros e forçando equipes a quebrar o guard-rail para conseguir acesso às vítimas.
A tragédia evidenciou falhas históricas em um dos pontos mais críticos da BR-101, onde o risco geológico é alto ou muito alto para deslizamentos. A Defesa Civil estadual monitora constantemente as encostas íngremes e as rochas naturalmente trincadas, que já causaram interdições por mais de 50 horas em episódios de chuva intensa, como o de abril de 2024. Mesmo assim, a rotina de insegurança permanece: nos primeiros dois meses de 2026, já foram registrados sete acidentes no trecho, com seis feridos e uma morte.
Apesar da queda de 36% no número de acidentes entre 2024 e 2025, os dados ainda acendem o alerta: no ano passado foram 28 ocorrências, com 32 feridos e uma morte. Para o chefe da comunicação da PRF, Adriano Fiamoncini, as consequências de qualquer colisão são amplificadas pela infraestrutura deficiente. “Para qualquer acidente que aconteça no Morro dos Cavalos, as consequências são muito maiores do que o mesmo acidente em outro trecho, por essa falta de acostamento”, afirmou em reportagem.
Saiba mais:
O Morro dos Cavalos virou sinônimo de promessa não cumprida. Há décadas, projetos bilionários são anunciados e nunca saem do papel. O governo federal, por exemplo, pretende construir um túnel duplo com três pistas em cada sentido, orçado em R$ 2,5 bilhões. Já o governo estadual defende um contorno viário mais curto, de R$ 291 milhões. Mesmo com a concessão do trecho passando para a iniciativa privada e com a CCR Motiva assumindo a obrigação da obra, ainda não há um prazo definido para o início da construção. Paralelamente, a Defesa Civil mantém o alerta máximo para deslizamentos, enquanto o Tribunal de Contas da União apura denúncias de falhas na gestão de riscos pela Arteris Litoral Sul. O cenário é agravado pela complexa disputa envolvendo a Terra Indígena Morro dos Cavalos, cuja demarcação é contestada por políticos e empresários, mas defendida pelas comunidades Guarani como essencial para a segurança e a preservação da região.

7 de agosto de 2025