Publicado em: 23 de março de 2026
Linha de apoio: Escassez de fertilizantes e alta da energia ameaçam pressionar os preços dos alimentos e afetar a próxima safra.
O ministro da Agricultura do Brasil, Carlos Fávaro, afirmou que o país pode enfrentar problemas de abastecimento mesmo estando distante do conflito no Oriente Médio. A principal preocupação recai sobre os fertilizantes: cerca de 30% do comércio global do insumo passa pelo Estreito de Ormuz, atualmente fechado, e o Bank of America estima que de 65% a 70% da oferta mundial de ureia fica ameaçada. Os preços já subiram de 30% a 40% desde o início das operações dos Estados Unidos e de Israel no Irã.
Diferentemente do que ocorreu em 2022, quando a guerra na Ucrânia afetou diretamente a exportação de grãos, o novo choque atinge os insumos agrícolas e reduz a produtividade no campo. O economista-chefe da FAO, Maximo Torero, alerta que, se o conflito se prolongar por mais algumas semanas, a oferta global de commodities cairá – desde grãos básicos e ração animal até lácteos e carne. Países em desenvolvimento são os mais vulneráveis, pois alimentos e combustíveis representam entre 30% e 50% da inflação ao consumidor nesses mercados, contra menos de 25% nas economias desenvolvidas.
A disparada dos preços da energia agrava o quadro: petróleo e gás subiram mais de 50% desde o início do conflito, elevando custos de produção e transporte. Não há estoques estratégicos globais de fertilizantes, e a alta dos combustíveis ainda pode desviar parte das colheitas para a produção de biocombustíveis, reduzindo a oferta de alimentos. Em 2022, aumentos similares provocaram protestos no Chile e na Tunísia, e analistas temem que uma nova onda de inflação alimentar reacenda tensões sociais e atrase os cortes de juros em economias emergentes.
Saiba mais:
O Brasil importa cerca de 85% dos fertilizantes que consome, e os países do Golfo Pérsico estão entre seus principais fornecedores. Embora o ministro Carlos Fávaro tenha sinalizado a busca por alternativas, como o aumento da produção nacional e a abertura de novas rotas de suprimento, a dependência estrutural e a ausência de estoques reguladores tornam o agronegócio brasileiro particularmente sensível à interrupção prolongada do fluxo no Estreito de Ormuz. A FAO recomenda que governos e bancos de desenvolvimento preparem ações emergenciais para evitar que o plantio da próxima temporada seja comprometido.

28 de outubro de 2025