Mel de SC sob ameaça com tarifas de Trump nos EUA

Publicado em: 25 de novembro de 2025

Mel de SC sob ameaça com tarifas de Trump nos EUA

Setor exportador enfrenta incertezas após mel brasileiro ser excluído da lista de produtos com redução de tarifas.

A manutenção da tarifa adicional de 40% sobre o mel brasileiro pelos Estados Unidos, decretada pelo ex-presidente Donald Trump, coloca em risco as exportações de Santa Catarina. O setor, que projetava uma boa safra, agora teme pelos novos contratos, já que a taxa elevada torna o produto menos competitivo. A medida, em vigor desde agosto, pressiona toda a cadeia produtiva.

A dependência do mercado norte-americano é um ponto crucial. Dados da Associação Brasileira dos Exportadores de Mel (Abemel) revelam que 76% das exportações nacionais foram para os EUA nos últimos cinco anos. Em 2024, esse comércio gerou mais de US$ 78 milhões, um crescimento de 16% em relação a 2023. Com a tarifa extra, somada à taxa mínima de 10% que já incidia, o preço final do mel brasileiro salta, podendo inviabilizar as vendas.

O mercado interno não tem capacidade para absorver um eventual excedente não exportado. O consumo per capita de mel no Brasil é de apenas 90 a 100 gramas por ano, enquanto nos Estados Unidos chega a 1,5 kg. A Federação das Associações de Apicultores de Santa Catarina (Faasc) projeta que a safra de primavera-verão será a mais impactada, com risco de acúmulo de estoque e prejuízos generalizados para os produtores.

Saiba mais:
As tarifas implementadas por Donald Trump revisitam um histórico de tensões comerciais entre EUA e Brasil. Durante seu primeiro mandato (2017-2021), Trump já havia imposto barreiras a produtos como aço e alumínio brasileiros, citando questões de segurança nacional. A atual medida, porém, é mais abrangente. Analistas apontam que a exclusão do mel pode estar ligada a pressões de produtores norte-americanos, que são grandes consumidores, mas também concorrem com a importação. O mel brasileiro, majoritariamente orgânico e premiado, possui uma niche de mercado, mas a guerra de preços pode forçar os exportadores a buscarem mercados alternativos na Europa e na Ásia com urgência.

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