Maçãs apodrecem no chão com safra recorde Produtores atribuem falta de mão de obra ao Bolsa Família e pedem que benefício seja mantido para quem aceitar trabalho formal

Publicado em: 2 de março de 2026

Maçãs apodrecem no chão com safra recorde Produtores atribuem falta de mão de obra ao Bolsa Família e pedem que benefício seja mantido para quem aceitar trabalho formal

 

A safra brasileira de maçã 2025/26 deve crescer 35%, chegando a 1,15 milhão de toneladas, com exportações projetadas para quadruplicar. Mas o que seria motivo de comemoração virou frustração: vídeos nas redes sociais mostram frutas se estragando no chão por falta de colhedores. A Associação Brasileira dos Produtores de Maçã (ABPM) alerta que o problema se repete a cada ano em todas as regiões produtoras, elevando custos e pressionando os preços ao consumidor.

Segundo o diretor executivo da ABPM, Moisés Lopes de Albuquerque, a escassez de trabalhadores tem uma causa clara: o temor dos beneficiários do Bolsa Família de perderem o auxílio ao assinar a carteira de trabalho. “Muitos preferem não arriscar um contrato temporário e abrir mão da renda fixa do programa”, explica. Produtores como Mariozan Correa, de Urubici (SC), relatam que, nos últimos três anos, ficou mais difícil contratar trabalhadores de outros estados, que alegam receio de ficar sem o benefício.

A solução defendida pelo setor é que o governo federal permita o acúmulo do Bolsa Família com o emprego formal, ao menos durante o período da colheita. “Isso daria segurança para que essas pessoas ingressassem no mercado de trabalho, melhorando a renda e a qualidade de vida”, argumenta Albuquerque. Enquanto isso, produtores investem em tecnologia, como plataformas de colheita, mas lembram que a máquina ainda não substitui a mão humana em larga escala.

Saiba mais:
Criado em 2003, o Bolsa Família passou por diversas reformulações, e atualmente permite que beneficiários tenham emprego formal desde que a renda familiar per capita não ultrapasse o limite de meio salário mínimo. No entanto, o temor de perder o auxílio permanentemente ao assinar a carteira é frequente entre trabalhadores temporários, especialmente em regiões onde a colheita sazonal é a principal oportunidade. Especialistas apontam que uma comunicação mais clara sobre as regras e a criação de incentivos específicos para safristas poderiam reduzir o gargalo de mão de obra no campo.

A reportagem procurou o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) para comentar o assunto, mas não obteve retorno até a publicação deste texto. O espaço segue aberto para manifestação.

  • Banner
  • Banner
  • Banner
  • Banner
Compartilhe essa notícia nas redes sociais!
  • Banner Mobile
  • Banner Mobile
  • Banner Mobile
  • Banner Mobile
  • Banner Mobile
  • Banner Mobile
  • Banner Mobile
  • Banner Mobile