Publicado em: 21 de abril de 2026
Data une os 66 anos da capital federal à memória do alferes que liderou a Inconfidência Mineira e morreu pela liberdade
Neste 21 de abril, Brasília completa 66 anos como símbolo de desenvolvimento e interiorização do país, inaugurada em 1960 por Juscelino Kubitschek. A mesma data marca o Dia de Tiradentes, patrono da Polícia Civil, em homenagem a Joaquim José da Silva Xavier, executado em 1792 por liderar a Conjuração Mineira. A coincidência histórica reforça valores como justiça, coragem e resistência à opressão, pilares que unem a capital modernista à luta dos inconfidentes.
A Inconfidência Mineira foi um movimento separatista articulado em Vila Rica (hoje Ouro Preto) contra a cobrança abusiva de impostos pela Coroa portuguesa, especialmente o “quinto” (20% do ouro extraído). Quando a produção aurífera caiu, Portugal ameaçou aplicar a derrama – confisco forçado de bens da população para atingir a cota anual de 100 arrobas. Inspirados pelo Iluminismo e pela independência dos Estados Unidos, os inconfidentes planejavam proclamar uma república, criar uma universidade e modernizar a economia. Traídos por Joaquim Silvério dos Reis, Tiradentes foi o único condenado à morte, enforcado e esquartejado, tornando-se mártir da liberdade brasileira.
Para a Polícia Civil, a data é um momento de reflexão sobre o compromisso com a segurança e a justiça social. Cerimônias e eventos comunitários reforçam os laços entre a instituição e a sociedade, lembrando que o legado de Tiradentes inspira a atuação humanizada, o aprimoramento técnico e a defesa intransigente da ordem democrática. A homenagem ao patrono reafirma o papel da polícia na construção de um país mais justo e seguro.
Saiba mais:
A Inconfidência Mineira (1788-1789) foi a maior conspiração anticolonial do Brasil no século XVIII, envolvendo intelectuais, militares, padres e proprietários rurais. Entre os inconfidentes estavam o poeta Tomás Antônio Gonzaga (autor de “Marília de Dirceu”), o padre José da Silva e Oliveira Rolim e o coronel Francisco Antônio de Oliveira Lopes. A revolta não chegou a ocorrer porque foi denunciada por Joaquim Silvério dos Reis em troca do perdão de suas dívidas com a Coroa. Dos 11 réus condenados à forca, apenas Tiradentes teve a pena mantida; os demais tiveram as sentenças comutadas para degredo perpétuo na África. O “quinto dos infernos” – expressão popularizada na época – referia-se ao imposto de 20% sobre o ouro, que, aliado à derrama, tornou insustentável a vida dos mineradores. Apesar de derrotado, o movimento semeou ideias republicanas que floresceriam na Independência do Brasil (1822) e na Proclamação da República (1889). A data de 21 de abril foi instituída como feriado nacional em 1965, em reconhecimento ao sacrifício de Tiradentes, cujos restos mortais estão no Museu da Inconfidência, em Ouro Preto.