Irã rejeita plano de cessar-fogo dos EUA e impõe cinco condições para negociar

Publicado em: 25 de março de 2026

Irã rejeita plano de cessar-fogo dos EUA e impõe cinco condições para negociar

Teerã exige fim dos assassinatos e indenizações; porta-voz militar ironizou a “autoproclamada superpotência global” e alertou: “não chamem sua derrota de acordo”

O governo iraniano rejeitou formalmente as condições impostas pelos Estados Unidos para estabelecer um cessar-fogo na região, classificando os critérios americanos como “excessivos”. A informação foi divulgada pela emissora estatal Press TV, que também publicou a lista de exigências de Teerã para que qualquer negociação seja viável. Em um vídeo nas redes sociais, o porta-voz do Quartel-General Central Khatam al-Anbiya do Irã, Ebrahim Zolfaghari, atacou a “autoproclamada superpotência global” e afirmou: “Alguém como nós jamais chegará a um acordo com alguém como vocês. Nem agora, nem nunca”.

Entre as cinco condições impostas pelo Irã estão a cessação total das agressões e assassinatos por parte dos EUA e Israel, o pagamento de indenizações e reparações de guerra, e garantias internacionais quanto ao direito soberano do país de exercer autoridade sobre o Estreito de Ormuz. Teerã também exige mecanismos para garantir que o conflito não seja reiniciado e a conclusão da guerra em todas as frentes para os grupos de resistência na região. A postura contrasta com a avaliação da Casa Branca, que havia enviado uma proposta por meio de negociadores do Paquistão prevendo o fim das atividades nucleares do país.

Enquanto a imprensa israelense e americana divulgaram um rascunho do plano de paz que exige desde a desativação das instalações nucleares de Natanz e Fordow até a limitação do arsenal de mísseis, o porta-voz da chancelaria iraniana, Esmaeil Baghaei, questionou a credibilidade da mediação americana. “O Irã está sob bombardeio constante e ataques de mísseis dos EUA e de Israel. A alegação deles de diplomacia não é crível”, afirmou. Apesar da rejeição pública, Baghaei admitiu que há troca de mensagens com países vizinhos e que o ministro das Relações Exteriores tem mantido contato com seu homólogo paquistanês.

Saiba mais:
A rejeição iraniana ocorre em meio a um dos momentos mais voláteis da região desde o início do conflito. Em uma reunião de emergência do Conselho de Direitos Humanos da ONU, o alto comissário Volker Turk classificou a situação como um “flerte com uma catástrofe sem precedentes”, destacando que os ataques com mísseis perto de instalações nucleares em Israel e no Irã elevam o risco de uma escalada incontrolável. Turk também denunciou violações do direito internacional por todos os lados, revelando que, segundo dados do governo iraniano, cerca de 1.400 civis foram mortos e mais de 20 mil ficaram feridos apenas no Irã. O alto comissário alertou ainda para o colapso humanitário e econômico na região, com perdas estimadas em 63 bilhões de dólares, e criticou a repressão estatal em Teerã, onde a internet está fora do ar há mais de três semanas. O cenário, conforme Turk, tem o poder de envolver países além-fronteiras e desencadear novas crises globais a qualquer momento, tornando urgente um cessar-fogo que ainda parece distante diante das condições impostas por ambas as partes.

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