
Explosão de Caldeira em Zona Rural de Braço do Norte deixa Duas Vítimas Feridas
3 de outubro de 2025
Publicado em: 14 de março de 2026
ScreenshotVereadoras acompanham apuração na Dpcami e polícia já trabalha com a hipótese de um mesmo suspeito para oito ocorrências; vítimas relatam também ataques em redes sociai
As vereadoras Anequésselen Fortunato (PSD) e Giovana Mondardo (PCdoB) estiveram na tarde desta quinta-feira (12) na Delegacia de Proteção à Criança, Adolescente, Mulher e Idoso (Dpcami) de Criciúma para acompanhar o andamento das investigações sobre os bilhetes de cunho sexual deixados em mochilas de mulheres e adolescentes dentro de transportes coletivos no município. Durante a visita, foram recebidas pelo delegado Gleiston Alisson Soares da Costa, que repassou informações sobre o caso, enquanto a delegada titular, Ana Elisa Vargas de Souza, responsável pela condução da investigação, está em período de férias.
Até o momento, foram registrados oito boletins de ocorrência relacionados à situação. A Polícia Civil, no entanto, não descarta que esse número possa ser maior, considerando que parte dos registros é feita de forma on-line e os boletins são incorporados gradualmente ao sistema conforme o processamento. A partir do cruzamento de informações, foi possível estabelecer conexões entre os episódios, o que tem contribuído para o avanço das apurações e para a identificação de um possível suspeito.
Durante o acompanhamento, também foram relatadas situações que indicam que os episódios com os bilhetes podem estar ligados a condutas mais graves de importunação e perseguição contra mulheres. Entre os relatos das vítimas, há tentativas insistentes de contato por redes sociais, criação de perfis falsos e divulgação de conteúdos manipulados para constranger ou intimidar. As informações foram encaminhadas às autoridades e podem ampliar o entendimento sobre a atuação do suspeito. As vereadoras reforçaram a importância de dar visibilidade ao caso e incentivar que outras vítimas procurem a polícia, garantindo apoio e segurança para denunciar.
Saiba mais:
O caso em Criciúma reúne elementos que a legislação brasileira passou a tipificar mais recentemente como crimes autônomos. A perseguição obsessiva, ou stalking, foi incluída no Código Penal pela Lei 14.132/21, com pena de seis meses a dois anos de reclusão. Caracteriza-se pela perseguição reiterada que ameaça a integridade física ou psicológica da vítima, invade sua privacidade ou restringe sua liberdade, podendo ocorrer tanto no mundo físico quanto no digital. Quando praticada contra a mulher em contexto de violência doméstica, a conduta pode ser enquadrada na Lei Maria da Penha, que já prevê medidas protetivas para casos de violência psicológica. No entanto, especialistas apontam desafios na aplicação da lei quando a perseguição é cometida por desconhecidos ou fora do âmbito familiar, o que evidencia uma lacuna protetiva. Em setembro de 2025, a Comissão de Constituição e Justiça do Senado aprovou um projeto que estende expressamente a proteção da Lei Maria da Penha ao ambiente digital, incluindo perseguição on-line, chantagem e exposição da intimidade. O avanço das investigações em Criciúma ocorre em um contexto de aumento nacional dos registros de stalking, que passaram de 9,3% em 2017 para 16,1% em 2025, segundo pesquisa do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Especialistas alertam que a violência psicológica e a perseguição são frequentemente precursoras de feminicídios, o que torna essencial a interrupção precoce do ciclo de violência.

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26 de fevereiro de 2026