Publicado em: 12 de abril de 2026
Facade of the headquarters building of the National Social Security Institute ( Instituto Nacional do Seguro Social ) - INSS, in the city of Brasilia, Brazilian capital.Novo modelo começa no dia 13, exige presença do segurado e busca reduzir filas em benefícios
A partir desta segunda-feira, 13 de abril, o INSS passará a adotar a telemedicina para perícias médicas obrigatórias em casos específicos, como auxílio-doença e Benefício de Prestação Continuada (BPC). Apesar de o atendimento ser por vídeo, o segurado deverá comparecer presencialmente a uma agência equipada, onde passará por triagem e apresentará a documentação.
A medida, regulamentada pela Portaria nº 18/2026, tem como objetivo reduzir filas e ampliar o atendimento, especialmente em regiões com falta de peritos. Casos mais complexos ou que exijam exame físico continuarão sendo realizados de forma presencial.
O novo modelo permite que médicos peritos atendam remotamente diferentes regiões do país, ajudando a equilibrar a demanda entre estados e acelerar a análise dos pedidos. A iniciativa também poderá ser utilizada em mutirões para diminuir o tempo de espera dos segurados. Mesmo com a novidade, o INSS reforça que o formato remoto não substitui totalmente o presencial. O uso da teleperícia dependerá do tipo de solicitação e da complexidade do caso, além da concordância do próprio segurado antes da realização do atendimento virtual.
Saiba mais:
A teleperícia no âmbito do INSS não é uma inovação absoluta. Durante a pandemia de Covid-19, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) autorizou, por meio da Resolução nº 317, de 21 de abril de 2020, a realização de perícias médicas judiciais por videoconferência em caráter emergencial. No âmbito administrativo, o INSS já havia implementado o sistema Atestmed, que dispensa a perícia presencial para concessão do auxílio-doença mediante envio de atestados e documentos digitais, com análise exclusivamente documental. A nova portaria, no entanto, consolida o uso da telemedicina com atendimento síncrono (ao vivo) para os casos em que a avaliação remota é considerada suficiente.
Historicamente, o INSS enfrenta filas de espera por perícia médica, agravadas pelo déficit de peritos federais. Dados de anos anteriores indicam que o número de profissionais é insuficiente para atender à demanda em diversos estados, especialmente nas regiões Norte e Nordeste. A teleperícia surge como ferramenta para otimizar a força de trabalho existente, permitindo que um mesmo perito atenda segurados de localidades distintas sem necessidade de deslocamento.
A nova regra também impõe desafios. Será necessária infraestrutura tecnológica adequada nas agências (computadores, câmeras, conexão de internet estável) e a garantia de sigilo médico e proteção de dados pessoais, nos termos da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD – Lei nº 13.709/2018). Além disso, o próprio segurado precisa concordar com o formato remoto, e casos que exijam exame físico ou avaliação mais aprofundada permanecerão no modelo presencial. A medida, portanto, não elimina a perícia tradicional, mas busca complementá-la para reduzir o tempo de espera.