Publicado em: 15 de abril de 2026
Volume embarcado no 1º trimestre de 2026 é mais que o dobro do mesmo período de 2025; preço global cai com volta da Índia ao mercado.
O Brasil exportou 685 mil toneladas de arroz no primeiro trimestre de 2026, volume 144% superior às 281 mil toneladas do mesmo período de 2025. O faturamento, porém, chegou a US$ 159,7 milhões, com alta de apenas 55%, bem abaixo do crescimento no volume. A explicação está na forte queda do preço internacional do arroz, puxada pela volta da Índia ao mercado global com grande oferta.
Venezuela, Senegal e México foram os principais destinos, com retomada das vendas para os Estados Unidos, mercado importante para arroz de maior valor agregado. O avanço das exportações foi impulsionado pela recuperação dos estoques internos após as enchentes que afetaram o Rio Grande do Sul em 2025, o que permitiu ao Brasil voltar a exportar com força.
O arroz beneficiado respondeu por cerca de metade das exportações, com crescimento de 106% no volume e receita de US$ 75,4 milhões (alta de 21%). As importações também aumentaram: o país comprou 386 mil toneladas no trimestre, volume 7% superior ao de 2025, mas o valor pago caiu 28,5%.
Saiba mais:
A Índia, maior exportadora global de arroz, impôs restrições severas às vendas externas em meados de 2022 e as manteve até meados de 2024, quando retomou integralmente os embarques. Esse retorno inundou o mercado internacional com oferta adicional, derrubando os preços de referência. Analistas indicam que, enquanto a Índia seguir exportando em volumes elevados, os preços globais devem permanecer pressionados, limitando a receita brasileira mesmo com aumento físico dos embarques.