Publicado em: 28 de março de 2026
Relatório aponta esquema de descontos ilegais em benefícios; lista tem empresários, servidores e parlamentares
A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS apresentou um relatório final de mais de 4 mil páginas que recomenda o indiciamento de 216 investigados por participação em um esquema de descontos indevidos aplicados a aposentados e pensionistas. O documento cita nomes como o empresário Fábio Luís Lula da Silva (Lulinha), filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, além de ex-ministros da Previdência, ex-presidentes do INSS, servidores públicos e parlamentares.
O relator, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), aponta como líder do esquema Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “careca do INSS”, ao lado de sua esposa e filho. Também estão na lista o empresário Maurício Camisotti, apontado como operador, e dirigentes de instituições financeiras como Banco Master, C6 Bank e PicPay. Entre os políticos citados estão o senador Weverton Rocha (PDT-MA) e as deputadas federais Gorete Pereira (MDB-CE) e Euclydes Pettersen (Republicanos-MG).
Os indiciamentos abrangem crimes como organização criminosa, lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva, fraude eletrônica e violação de sigilo funcional. Para que os investigados se tornem réus, o Ministério Público precisará apresentar denúncia que seja aceita pela Justiça. A entrega do relatório ocorreu após o Supremo Tribunal Federal (STF) negar a prorrogação dos trabalhos da comissão.
Saiba mais:
A CPMI do INSS foi instalada para investigar um esquema bilionário que operava com a intermediação ilegal de empréstimos consignados e outros descontos em folha de pagamento de aposentados e pensionistas. Estima-se que os prejuízos aos cofres públicos e aos segurados ultrapassem R$ 2 bilhões. A fraude envolvia a atuação de servidores que facilitavam a inserção de dados falsos nos sistemas do instituto, permitindo que empresas e operadores financeiros realizassem descontos sem autorização dos beneficiários. O relatório final é um dos maiores já produzidos no âmbito de uma comissão parlamentar de inquérito e deve servir de base para ações penais e civis, além de reforçar pedidos de abertura de processos por improbidade administrativa.

17 de fevereiro de 2026