Publicado em: 19 de março de 2026
Após intervenção do presidente nacional do PSD e sinalização do ex-governador, prefeito de Chapecó consolida pré-candidatura, mas Topázio Neto anuncia desfiliação
Uma intervenção direta do presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, costurou os principais atritos e recolocou o partido nos trilhos em Santa Catarina. Em um áudio enviado a aliados na noite desta quarta-feira (18), o prefeito de Chapecó, João Rodrigues, confirmou que Kassab “hipotecou 100% de apoio” ao seu projeto de governo, pondo fim à crise aberta após o prefeito de Florianópolis, Topázio Neto, declarar suporte à reeleição de Jorginho Mello (PL). Com a sinalização, Rodrigues declarou que o caminho está “livre de desencontros” e que sua pré-candidatura é “irreversível”.
A pacificação interna também contou com um gesto decisivo do ex-senador Jorge Bornhausen, uma das principais lideranças históricas da sigla. Bornhausen, que na segunda-feira (16) ameaçava lançar um nome alternativo ao governo, como Raimundo Colombo, recuou e enviou uma mensagem aos correligionários avalizando a candidatura de Rodrigues e pedindo união partidária. O movimento neutralizou a ala insurgente e devolveu a coesão ao grupo às vésperas do prazo final para desincompatibilização.
Com o imbróglio resolvido na cúpula, João Rodrigues cancelou o evento que realizaria no sábado (21) para oficializar sua renúncia à prefeitura de Chapecó, mas garantiu que as conversas para formar uma chapa competitiva serão retomadas imediatamente. Entre os alvos estão o MDB e a federação União Progressista (Progressistas e União Brasil), onde o senador Esperidião Amin assumiu o comando estadual do PP, facilitando o diálogo. “É possível que fechemos uma grande aliança já no primeiro turno”, afirmou no áudio.
Saiba mais:
Aos 88 anos, Jorge Bornhausen é um dos últimos representantes da geração que dominou a política catarinense durante a redemocratização. Fundador do extinto PFL (atual União Brasil) e figura central na criação do PSD em 2011, seu apoio é visto como um “selo de qualidade” para as alas mais conservadoras do partido. A sua tentativa de lançar Raimundo Colombo na segunda-feira refletia o descontentamento com a forma como Rodrigues lidou com o caso Topázio, mas a ligação de Kassab mudou o tabuleiro. O desfecho, porém, não evitou uma baixa: na manhã desta quinta-feira (19), Topázio Neto anunciou sua desfiliação do PSD em carta aberta, acusando João Rodrigues de “ego e sede de poder” e reiterando apoio a Jorginho Mello e a Flávio Bolsonaro para presidente. Com a saída, a direção estadual deve arquivar o processo de expulsão, mas o episódio expõe a fragilidade das alianças estaduais em ano eleitoral.