Clarinha, a banana que nasceu por acaso e pode revolucionar a safra de SC

Publicado em: 31 de março de 2026

Clarinha, a banana que nasceu por acaso e pode revolucionar a safra de SC

Nova variedade tem 43% menos clorofila, o que deixa a fruta mais clara e atrativa ao consumidor, especialmente no inverno.

Foi em meio a uma plantação de banana caturra em Luiz Alves, no Vale do Itajaí, que uma família de agricultores percebeu, ainda nos anos 90, pés com uma característica incomum: as folhas e os frutos mantinham uma coloração mais clara, mesmo com os cuidados rotineiros. O que começou como uma curiosidade em uma propriedade de três décadas se tornou, após anos de estudos, uma nova variedade registrada no Ministério da Agricultura.

A confirmação científica veio por meio de pesquisadores da Epagri, que em 2018 coletaram a planta para multiplicação e testes na estação experimental. Após cerca de seis anos de análises, ficou comprovado que a mutação espontânea resultou em uma banana com a mesma produtividade da caturra convencional, porém com uma vantagem genética significativa: a casca apresenta 43% menos clorofila, o pigmento responsável pela cor verde.

A diferença na aparência, que antes era apenas um detalhe observado pelo produtor Ricardo Rech, agora se traduz em uma vantagem comercial estratégica. Enquanto as bananas tradicionais tendem a escurecer no inverno, período em que a fruta demora a amadurecer e a oferta de frutas claras diminui, a Clarinha chega ao ponto de colheita com uma tonalidade mais atraente, oferecendo uma alternativa para os produtores aumentarem a competitividade nas prateleiras durante a baixa temporada.

Saiba mais:
A nova variedade pertence ao subgrupo Cavendish, o mesmo das tradicionais caturra e nanica, que domina o mercado global de bananas. Historicamente, o setor bananeiro é altamente suscetível a variações genéticas e pragas, como o mal-do-Panamá, que já dizimou plantações inteiras no século passado. A descoberta espontânea da Clarinha em Santa Catarina reforça a importância da biodiversidade genética para a segurança da fruticultura. Além do apelo estético, os pesquisadores da Epagri destacam que a nova variedade mantém a resistência e a produtividade das matrizes, exigindo o mesmo manejo já conhecido pelos agricultores. A expectativa é que, com o lançamento comercial, a Clarinha se torne uma opção viável para os produtores diversificarem sua produção e agregarem valor ao produto final, especialmente no mercado interno durante os meses de menor oferta de frutas com qualidade visual superior.

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