Publicado em: 27 de fevereiro de 2026
Presidente estadual da sigla revela que trabalhava há um ano para aproximar partido do PL e foi pego de surpresa com escolha de Adriano Silva para vice
O deputado federal e presidente do MDB em Santa Catarina, Carlos Chiodini, anunciou seu desligamento da Secretaria de Estado da Agricultura, selando o rompimento com o governo Jorginho Mello (PL). A decisão, oficializada nesta semana, é uma reação direta à escolha do prefeito de Joinville, Adriano Silva (Novo), como candidato a vice-governador na chapa da reeleição, cargo que era almejado pelo MDB. Chiodini afirmou que o partido “se sentiu preterido” e que havia um ano de conversas para viabilizar a aliança.
Em entrevista ao NSC Total, o presidente estadual do MDB revelou que a comunicação sobre a decisão do governador ocorreu de forma abrupta. “Nós fomos comunicados que o Adriano seria o vice”, declarou, classificando o episódio como uma surpresa. Segundo ele, o sentimento interno é de mágoa, especialmente porque o partido dedicou o último ano a uma aproximação com o PL, mesmo sendo seu principal concorrente nas eleições municipais.
A saída de Chiodini, que retorna ao seu mandato na Câmara dos Deputados, é a primeira baixa concreta na base governista. O MDB estadual orientou que seus filiados se desvinculem das funções no Executivo, mas deve manter um apoio “independente” a projetos de interesse do estado na Assembleia Legislativa. O partido agora sinaliza que pode construir um projeto próprio para a disputa ao governo, abrindo diálogo com outras legendas.
Saiba mais:
A decisão do governador Jorginho Mello sepulta um aceno público feito por ele próprio em outubro do ano passado, quando afirmou que a vaga de vice “já estava encaminhada” com o MDB . A opção por Adriano Silva, reeleito em Joinville com expressivos 78% dos votos, buscou fortalecer o discurso de uma chapa “pura” da direita e agradar a ala bolsonarista, que via com ressalvas a aproximação com o centrão . Com a saída dos emedebistas, que comandavam três secretarias e possuem capilaridade em 71 prefeituras catarinenses, o governador perde um importante aliado estrutural. No campo oposto, a movimentação acelera as articulações de um bloco de centro formado por MDB, PSD, União Brasil e PP. Juntos, os partidos controlam 174 prefeituras e estudam apoiar a pré-candidatura do prefeito de Chapecó, João Rodrigues (PSD), ao governo, o que deve isolar o PL na disputa estadual e reconfigurar a corrida eleitoral .

16 de dezembro de 2025