Publicado em: 2 de abril de 2026
A valorização reflete oferta restrita de animais prontos para abate e demanda aquecida, com arroba próxima de R$ 348

O preço do boi gordo registrou alta consistente ao longo de março e atingiu o maior nível para o mês desde 2022, segundo o Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada). A média da arroba na parcial de março ficou próxima de R$ 348, superando os valores observados no mesmo mês do ano passado e também o recorde nominal de março de 2022.
A principal causa da elevação é a oferta mais restrita de bovinos terminados para abate, cenário que tem sustentado as cotações no mercado pecuário. Paralelamente, a demanda segue firme, tanto no mercado interno quanto nas exportações, o que contribui para a valorização da arroba.
Analistas indicam que o movimento de alta já era observado desde fevereiro, quando o indicador do Cepea acumulou ganhos relevantes e se aproximou de máximas históricas. Com a oferta apertada e as vendas externas aquecidas, a tendência é de continuidade do ciclo de valorização ao longo de 2026, ainda que oscilações no consumo interno possam gerar ajustes pontuais.
Saiba mais:
O atual ciclo de alta do boi gordo está diretamente ligado à fase de retenção de fêmeas iniciada em 2024, que reduziu a disponibilidade de animais para abate e elevou os preços. Historicamente, março de 2022 marcou o pico do ciclo anterior, com a arroba batendo recordes nominais impulsionados pela forte demanda chinesa e pela desvalorização cambial. Naquele ano, o Cepea registrou médias acima de R$ 330 em março, mas com poder de compra diferente devido à inflação. Desde então, o mercado passou por dois anos de ajuste, com quedas em 2023 e recuperação gradual em 2024. As exportações de carne bovina brasileira seguem em ritmo acelerado em 2026, com a China respondendo por cerca de 50% do volume embarcado, e a abertura de novos mercados no Oriente Médio e no Sudeste Asiático tem dado suporte adicional às cotações. Especialistas alertam, no entanto, que a continuidade da alta dependerá do comportamento da oferta de milho e do custo de produção, além de eventuais barreiras sanitárias ou mudanças na política comercial internacional. Por enquanto, a expectativa é de que a arroba possa testar os R$ 370 ainda no primeiro semestre, caso a retenção de fêmeas persista e a demanda externa se mantenha aquecida.