Botos pescadores viram celebridades na Laguna

Publicado em: 27 de fevereiro de 2026

Botos pescadores viram celebridades na Laguna

Prática única de pesca cooperativa atrai turistas e pesquisadores ao município do Sul de Santa Catarina

Laguna, no Sul catarinense, abriga um espetáculo da natureza que encanta moradores e visitantes. Cerca de 50 botos vivem na Lagoa Santo Antônio e estabeleceram uma parceria inusitada com pescadores artesanais: eles auxiliam na captura de tainhas e outros peixes, uma tradição que rendeu à cidade o título de Capital Nacional do Boto Pescador, por lei federal de 2016, e o reconhecimento como patrimônio cultural imaterial de Santa Catarina desde 2018.

A dinâmica da pesca cooperativa é fascinante. Os golfinhos cercam os cardumes e os conduzem em direção aos pescadores, que lançam tarrafas de cerca de três metros de diâmetro. Enquanto os homens recolhem as redes, os botos mergulham para abocanhar os peixes que escapam. Alguns desses cetáceos podem ultrapassar 3,5 metros e pesar 300 quilos. “Recebemos turistas do mundo inteiro e biólogos que vêm exclusivamente para observar e estudar essa interação única”, destaca a secretária de Turismo, Bárbara Andreadis.

Os botos são avistados principalmente no canal dos molhes, que liga a lagoa ao mar. A alta temporada da pesca da tainha ocorre entre maio e junho, mas os animais são considerados residentes quando há fartura de peixes. Em resposta às mortes causadas por poluição e pela pesca incidental, moradores criaram um memorial conhecido como “cemitério dos botos”, um espaço simbólico de protesto. Um plano de ação estadual, instituído em 2019, busca a conservação da espécie na região.

Saiba mais:
A relação cooperativa entre botos e pescadores em Laguna é um fenômeno raro e estudado por cientistas de diversos países. Pesquisas indicam que essa parceria existe há mais de um século e é transmitida entre gerações de ambos os grupos. Os botos (espécie Tursiops truncatus) desenvolvem técnicas específicas para o ambiente lagunar, como o mergulho sincronizado para encurralar os cardumes. Estima-se que apenas cerca de 20 a 30 botos participem ativamente da pesca, e os pescadores locais conseguem reconhecer cada um por características físicas e comportamentais, chegando a batizá-los com nomes. A continuidade desse patrimônio, no entanto, enfrenta desafios como a degradação da Lagoa Santo Antônio por esgoto e resíduos sólidos, o tráfego de embarcações e as mudanças climáticas que afetam os estoques pesqueiros. Organizações não governamentais e universidades monitoram a população de botos e promovem ações educativas para garantir que essa tradição, símbolo da identidade cultural lagunense, persista.

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