Publicado em: 8 de março de 2026
OLYMPUS DIGITAL CAMERAApesar da alta nos registros de manejo, setor produtivo estima população de 200 mil animais e alerta para riscos sanitários e destruição de lavouras.




Os registros de manejo de javalis em Santa Catarina saltaram de 5,8 mil em 2019 para mais de 34 mil em 2023, um aumento superior a seis vezes. Apesar do crescimento dos abates autorizados, a espécie exótica e invasora continua a gerar preocupação entre produtores rurais e órgãos ambientais devido aos danos econômicos e ecológicos.
Considerada uma das 100 espécies mais perigosas do mundo pela União Internacional de Conservação da Natureza, o javali não tem predadores naturais no país. Com reprodução rápida e comportamento agressivo, os animais devastam plantações, comprometendo lavouras de grãos em até 40%, e ainda ameaçam nascentes e a fauna nativa ao revirar o solo em busca de alimentos.
Os dados de abate, no entanto, são autodeclaratórios e podem não refletir a totalidade do problema. Segundo o Ibama, as informações são prestadas pelos próprios controladores por meio do Sistema de Manejo de Fauna (Simaf), o que pode gerar inconsistências. Apenas entre janeiro e agosto de 2025, já foram registrados mais de 34 mil abates no estado.
Saiba mais:
O javali-europeu (Sus scrofa) foi introduzido no Brasil durante a década de 1980, principalmente para fins comerciais e como alternativa de caça. Com o cruzamento com porcos domésticos abandonados, a espécie se adaptou rapidamente aos biomas brasileiros, especialmente no Sul e Sudeste. Em Santa Catarina, a ausência de predadores naturais — como onças ou grandes felinos — aliada à alta taxa de reprodução das fêmeas, que podem ter duas crias por ano com até oito filhotes cada, explica a explosão populacional. Estudos indicam que os javalis também atuam como transmissores de doenças como peste suína clássica e febre aftosa, representando um risco sanitário grave para o estado, que lidera a exportação nacional de suínos. A legislação atual permite o controle por meio de abate autorizado, mas a solução definitiva para conter os danos ambientais e econômicos ainda depende de políticas públicas mais rígidas e do envolvimento de toda a cadeia produtiva.