Publicado em: 21 de abril de 2026
Crença popular diz que é preciso pedir permissão às entidades místicas para ter uma vida próspera na capital catarinense.





Morar em Florianópolis pode envolver mais do que aluguel e documentação. Segundo uma tradição que atravessa gerações, quem chega à Ilha da Magia deve anunciar sua presença às bruxas. A crença, inspirada em narrativas de origem açoriana, sugere que essas figuras teriam poder para “permitir” ou não a permanência na cidade.
Foi o que ocorreu com a influenciadora gaúcha Bruna Marini, que enfrentou dificuldades para encontrar um imóvel após se mudar para a capital. Sem sucesso nas buscas, ela decidiu mentalmente pedir permissão às entidades. No dia seguinte, uma sequência de sinais e coincidências culminou na oferta de uma casa que estava fechada havia dois meses e fora organizada justamente naquele dia.
A crença está ligada à lenda das Bruxas de Itaguaçu, cujas pedras na praia do continente, segundo o folclore, seriam bruxas petrificadas como castigo. A tradição popular afirma que, em noites de lua cheia, elas ainda se libertam do feitiço. Para muitos moradores e recém-chegados, o gesto de pedir autorização simboliza um rito de respeito ao imaginário místico que dá à cidade o apelido de Ilha da Magia.
Saiba mais:
A principal referência para a preservação dessas lendas é o folclorista Franklin Cascaes (1908-1983), natural da própria praia de Itaguaçu. Em mais de 40 anos de pesquisa, ele documentou centenas de histórias da cultura açoriana da Ilha de Santa Catarina, incluindo a versão que diz que o local teria sido reservado para o habitat de seres sobrenaturais. Sua obra, que abrange desenhos, esculturas e escritos, ajudou a consolidar o imaginário que transformou Florianópolis em referência de misticismo no Sul do país.