Publicado em: 25 de maio de 2026
Conhecida como “Nazaré Brasileira”, a formação rochosa tem ondas de até 15 metros e acumula 72 naufrágios registrados


Localizada a cerca de 5 km da costa de Jaguaruna, no sul de Santa Catarina, a Laje da Jagua é uma formação rochosa submersa de aproximadamente dois quilômetros de extensão. Descoberta por surfistas em 2003, a laje se tornou um dos pontos mais cobiçados do país para a prática de ondas grandes, com picos que podem ultrapassar 15 metros de altura. Em julho de 2025, o surfista Lucas Chumbo surfou ali a maior onda já registrada no Brasil: 14,82 metros, consolidando o local como a “Nazaré Brasileira”.
Antes de ser um paraíso para os surfistas, a região era um pesadelo para os navegadores. A mesma elevação rochosa que forma as ondas gigantes esconde uma armadilha perigosa sob a superfície. Segundo o historiador e arqueólogo Alexandro Demathe, a Laje da Jagua e seu entorno são responsáveis por um “cemitério de navios”, com ao menos 72 naufrágios documentados entre os séculos 16 e 20. As condições climáticas adversas, com fortes ventos e neblina, empurravam as embarcações contra a laje rasa, onde encalhavam e se partiam.
O naufrágio do cargueiro Guaratinga, em 1954, está entre os mais emblemáticos. A embarcação transportava madeira e banha de porco quando pegou fogo após encalhar, e suas tábuas foram usadas para construir barracões de pesca na região. Para tentar conter a série de acidentes, o Farol de Santa Marta foi construído em 1891 para guiar os navios para longe da perigosa laje. Sua luz pode ser vista a até 91 km de distância, mas, mesmo com o alerta, acidentes continuaram a acontecer, como o do cargueiro Gravataí, que afundou no local em 1973.
Saiba mais:
Um dos naufrágios mais curiosos da região é o do Vapor Catalão, que afundou em 1908 na altura do Farol de Santa Marta. Com 4 mil toneladas, o navio transportava uma carga incomum que incluía cerca de 800 carneiros e 190 bovinos, muitos deles de raça pura. A maioria dos animais sobreviveu ao desastre e acabou solta nos campos vizinhos de Laguna. Mais de um século depois, os destroços do Catalão ainda podem ser vistos por mergulhadores em dias de mar calmo.

7 de fevereiro de 2025