Publicado em: 16 de maio de 2026
Peixes se estendem entre duas praias de Laguna em plena safra de 2026


Um morador de Laguna, no Sul de Santa Catarina, registrou com drone na manhã deste sábado (16) um cardume de tainhas que se estendia por toda a Praia do Cardoso até a Praia da Cigana. As imagens mostram a grande concentração dos peixes, com cerca de dois quilômetros de extensão.
A safra da tainha acontece todos os anos entre maio e julho no litoral catarinense, sendo declarada patrimônio histórico, artístico e cultural do estado desde 2012. Para este ano, o limite total de captura da espécie (Mugil liza) foi fixado em 8.168 toneladas, representando um aumento de aproximadamente 20% em relação ao ano passado.
A tradicional pesca do arrasto de praia, modalidade exclusiva de Santa Catarina, poderá capturar até 1.332 toneladas nesta temporada. Já o emalhe anilhado, também restrito ao litoral catarinense, terá limite de 1.094 toneladas.
Saiba mais:
A pesca artesanal da tainha é uma das mais antigas e simbólicas atividades produtivas do litoral sul-brasileiro, com raízes que mesclam técnicas indígenas (como o uso de cercos e flechas) e a tradição açoriana, que introduziu o arrasto de praia com canoas e redes de espera. Além do valor econômico — que envolve diretamente mais de 5 mil pescadores artesanais só em Santa Catarina —, a safra regula o calendário cultural de dezenas de comunidades, como Laguna, Garopaba, Imbituba e Florianópolis. Do ponto de vista ambiental, a tainha (Mugil liza) é uma espécie migratória que se reproduz em águas oceânicas e se alimenta em estuários, sendo considerada um bioindicador da saúde dos ecossistemas costeiros. A ampliação da cota em 2026, aprovada após reavaliação do estoque de 2025, gerou debate entre ambientalistas e pescadores: enquanto os primeiros pedem cautela para evitar colapso da espécie — como ocorreu com a sardinha e o camarão em décadas passadas —, os segundos celebram o alívio para comunidades que enfrentaram restrições severas nos últimos cinco anos.