Publicado em: 14 de maio de 2026
Senador negou ter solicitado financiamento a Daniel Vorcaro, do Banco Master, mas após publicação de mensagens pelo Intercept Brasil confirmou a negociação.
O senador Flávio Bolsonaro negou, em entrevista presencial na manhã desta quarta-feira (13), que tivesse pedido ao banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, o financiamento de US$ 24 milhões (cerca de R$ 134 milhões à época) para o filme “Dark Horse”, que conta a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro. Ao ser confrontado por jornalistas, chamou a informação de “mentira” e acusou o repórter de “militante”. Horas depois, com a divulgação de mensagens obtidas pelo Intercept Brasil, o senador admitiu o pedido em nota oficial.
Os diálogos, que cobrem o período entre dezembro de 2024 e novembro de 2025, mostram negociações diretas entre Flávio e Vorcaro, incluindo planilhas de pagamento e comprovantes de transferência. Ao menos US$ 10,6 milhões (aproximadamente R$ 61 milhões) já haviam sido enviados entre fevereiro e maio de 2025 para um fundo sediado no Texas, controlado por aliados de Eduardo Bolsonaro. O banqueiro foi preso em 17 de novembro de 2025, e no dia seguinte o Banco Central decretou a liquidação da instituição, que causou prejuízo de R$ 47 bilhões ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC).
Em sua defesa, Flávio afirmou que agiu como “um filho procurando patrocínio privado para um filme privado sobre a história do próprio pai”, sem uso de dinheiro público. Disse ter conhecido Vorcaro em dezembro de 2024, após o fim do governo de Jair Bolsonaro, quando ainda não havia suspeitas públicas sobre o banqueiro, e que não ofereceu vantagens institucionais em troca. Ainda associou o escândalo ao governo Lula, citando reuniões do banqueiro com ministros petistas, e voltou a pedir a instalação de uma CPI do Banco Master para “separar os inocentes dos bandidos”.
Saiba mais:
A investigação do Intercept Brasil teve como base mensagens obtidas com exclusividade, cuja autenticidade foi confirmada por cruzamento de dados bancários, telefônicos, inquéritos policiais e registros do Congresso Nacional. O financiamento do filme foi intermediado pelo empresário Thiago Miranda, fundador do Portal Leo Dias, e por Fabiano Zettel, apontado pela Polícia Federal como o principal operador financeiro de Daniel Vorcaro. O Banco Master foi alvo da Operação Cash-out, deflagrada pela PF em novembro de 2025, que apurou um esquema de emissão de títulos de crédito falsos e gestão fraudulenta, com desdobramentos que levaram à prisão de outros executivos do setor financeiro. Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar humanitária desde março de 2026 por tentativa de golpe de estado, não se manifestou sobre o caso. A CPI proposta por Flávio ainda não foi instalada no Senado, mas já conta com o apoio declarado de parte da oposição. Paralelamente, a Procuradoria-Geral da República analisa se há indícios de tráfico de influência ou caixa dois na operação de captação de recursos para o filme.