Carvão de SC: o berço nacional que pode abastecer o agro brasileiro

Publicado em: 27 de abril de 2026

Carvão de SC: o berço nacional que pode abastecer o agro brasileiro

Com tradição centenária e R$ 6 bilhões movimentados por ano, Lauro Müller é a peça-chave para transformar o mineral em fertilizantes e reduzir a dependência externa do país

Responsável por movimentar R$ 6 bilhões anuais e por gerar mais de 21 mil empregos diretos e indiretos no Sul do estado, o setor carbonífero catarinense vive um momento decisivo. A aprovação da Lei 15.269/2025 prorrogou até 2040 a operação do Complexo Termelétrico Jorge Lacerda, em Capivari de Baixo, garantindo sobrevida ao mineral extraído em Lauro Müller — cidade-berço do primeiro carvão brasileiro, no século XIX. Com reservas estimadas em milhões de toneladas e duas mineradoras em atividade — a Carbonífera Catarinense e a Carbonífera Belluno —, o município de 15 mil habitantes tem na mineração sua segunda maior fonte de receita, atrás apenas da agricultura, e emprega cerca de 800 pessoas diretamente.

Enquanto o Rio Grande do Sul mantém parado um ativo bilionário na Mina do Leão II — são 120 milhões de toneladas de reservas e R$ 1 bilhão investido sem operação comercial —, Santa Catarina já extrai e beneficia o mineral continuamente. O presidente da Associação Brasileira do Carbono Sustentável, Fernando Luiz Zancan, argumenta que o Brasil não pode ignorar essa riqueza: “Não existe nenhum país no mundo com a quantidade de material que o Brasil possui, deixando tudo embaixo da terra, sem nem olhar”. O potencial, segundo Zancan, vai além da energia: “Os países estão preocupados em não ficar dependentes de terceiros na produção de fertilizantes”, afirmou em dezembro de 2025.

A principal aposta do setor é transformar o carvão catarinense em fertilizantes nitrogenados via gaseificação, reduzindo a dependência externa do Brasil, que hoje importa cerca de 85% dos fertilizantes consumidos. A Satc, em Criciúma, já lidera pesquisas com zeólitas — produzidas a partir das cinzas da queima do carvão — para uso no agronegócio. “Em Santa Catarina, já podemos pensar como fazer a primeira fábrica de zeólita para escala industrial”, destacou Zancan, engenheiro de minas com 50 anos de carreira. O horizonte até 2040, garantido pela nova lei, é considerado pelo setor o tempo necessário para reestruturar a indústria, zerar emissões e consolidar uma nova cadeia que una mineração, energia e agro.

Saiba mais:
A história do carvão em Lauro Müller remonta ao final do século XIX. A Carbonífera Catarinense, sediada na cidade, foi a primeira carbonífera do Brasil a obter a certificação NBR ISO 14.001 de gestão ambiental, em 2005. A empresa já recuperou 160 hectares de áreas degradadas, com mais de 15 mil mudas plantadas, e tem a meta de restaurar 530 hectares. O Complexo Termelétrico Jorge Lacerda, que recebe o carvão extraído na região, tem 740 MW de potência instalada e é o maior a carvão mineral da América Latina. A gaseificação do carvão para produção de ureia já é amplamente utilizada na China, que responde por mais da metade dos fertilizantes nitrogenados produzidos a partir do mineral no mundo.

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