Publicado em: 20 de abril de 2026
Mesmo com safra recorde, agricultores do interior gaúcho amargam prejuízo e falta de estrutura para armazenar a fruta
A safra de goiaba no Rio Grande do Sul foi generosa em 2026, mas o excesso de oferta se tornou um pesadelo para os produtores. Sem conseguir vender a produção, eles são obrigados a descartar toneladas da fruta, que apodrecem no campo.
O principal problema é a falta de compradores. As indústrias, que tradicionalmente absorvem a maior parte do volume, não dão conta de processar tanta goiaba e, em alguns casos, suspenderam ou reduziram as compras. Como a fruta é altamente perecível e não há estrutura de armazenamento, como câmaras frias, a única saída é jogar fora o que não é vendido.
O cenário atual escancara uma fragilidade antiga do setor. Em 2024, enchentes destruíram lavouras; em 2025, os agricultores sofreram com atrasos de pagamento; agora, em 2026, o desequilíbrio entre oferta e demanda transforma uma safra positiva em prejuízo direto. Enquanto isso, nos mercados, o consumidor ainda encontra preços elevados – um reflexo das falhas na distribuição e organização da cadeia.
Saiba mais:
A goiaba tem vida útil curta, de dois a três dias em temperatura ambiente, e estima-se que as perdas pós-colheita de frutas no Brasil cheguem a 30% da produção. No Rio Grande do Sul, a cultura é voltada principalmente para a indústria de doces, polpas e sucos, o que torna o setor refém de poucos compradores. Especialistas apontam que a diversificação de canais – como venda direta a redes de supermercados, aproveitamento em bancos de alimentos ou incentivo a cooperativas – poderia minimizar os prejuízos, mas faltam políticas públicas e investimentos em logística para viabilizar essas alternativas.