Proposta de proibição de plásticos ameaça 60 mil empregos no Sul de SC

Publicado em: 10 de abril de 2026

Proposta de proibição de plásticos ameaça 60 mil empregos no Sul de SC

Polo bilionário do setor pode perder até 12,3 mil postos diretos e 48 mil indiretos se projeto for aprovado no Senado

O Projeto de Lei 258/2024, que institui a Política Nacional de Desplastificação, foi pautado na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado com relatório favorável do senador Renan Calheiros (MDB-AL), prevendo prazo de dois anos para a substituição dos plásticos de uso único no país. A medida causou apreensão no Sul catarinense, região que concentra cerca de 240 indústrias do setor, responsáveis por 12,3 mil empregos diretos e 48 mil indiretos, além de movimentar aproximadamente R$ 6,5 bilhões por ano.

O senador Esperidião Amin (PP-SC) apresentou um requerimento para realização de audiência pública antes da votação, pedido aprovado pela comissão. O diretor executivo do Sindicato das Indústrias Plásticas do Sul Catarinense (Sinplasc), Elias Caetano, defende cautela: “Esse é um tema extremamente importante e sensível para a nossa região, que pode ser impactada de forma direta por essa medida.” A indústria argumenta que a produção de materiais biodegradáveis ainda não tem escala no país e representa menos de 1% da demanda, e que a substituição não resolve a poluição.

O Sinplasc organiza um evento nacional no dia 26 de junho, no Sul do estado, com apoio do senador Amin, para discutir o tema e apresentar soluções como o projeto Defesa Circular, desenvolvido em Orleans. A iniciativa envolve educação ambiental, coleta seletiva e destinação de resíduos, com participação de diferentes entidades. “O objetivo é apresentar soluções e construir caminhos para uma transição que preserve empregos e avance na gestão dos resíduos”, destacou Caetano.

Saiba mais:
O Brasil é o maior poluidor plástico da América Latina e o 8º do mundo, gerando 7 milhões de toneladas de resíduos anualmente — 44% de embalagens de uso único. A reciclagem mecânica de embalagens pós-consumo alcançou apenas 24,4% em 2025, evidenciando a fragilidade do sistema atual. A capacidade global de produção de bioplásticos deve passar de 2,31 milhões de toneladas em 2025 para 4,69 milhões em 2030, mas ainda representa menos de 0,5% dos 431 milhões de toneladas de plástico produzidas anualmente no mundo. Um estudo da Oceana e WWF-Brasil aponta que a transição do plástico descartável para alternativas mais sustentáveis poderia reduzir 8,2 milhões de toneladas de resíduos e evitar a emissão de 18 milhões de toneladas de CO₂ entre 2025 e 2040, gerando um valor de mercado estimado em R$ 6 bilhões. Por outro lado, a indústria alega falta de infraestrutura para coleta, triagem e compostagem, e que o PL avança sem uma Análise de Impacto Regulatório robusta. Após passar pela CAE, o projeto ainda será analisado pela Comissão de Meio Ambiente do Senado.

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