Atenção: ovo de páscoa ‘sabor chocolate’ pode enganar; saiba identificar

Publicado em: 4 de abril de 2026

Atenção: ovo de páscoa ‘sabor chocolate’ pode enganar; saiba identificar

Produto com gordura vegetal e pouco cacau não atende à legislação e costuma ter mais açúcar

Nem todo ovo de Páscoa é chocolate de verdade. A legislação brasileira exige que o produto contenha no mínimo 25% de sólidos de cacau (massa e manteiga) para ser chamado de chocolate. Quando esse padrão não é atingido, o fabricante é obrigado a usar no rótulo a expressão “sabor chocolate”.

Na prática, se a embalagem traz “ovo de chocolate ao leite”, o consumidor tem a garantia legal da composição mínima. Já a descrição “sabor chocolate” permite substituições mais baratas, como gordura vegetal hidrogenada e baixo teor de cacau. Especialistas alertam que a gordura hidrogenada não deveria fazer parte da massa do chocolate.

Quanto menor o teor de cacau, pior tende a ser a qualidade nutricional. Para compensar a falta de cacau, muitas marcas aumentam a quantidade de açúcar e gordura, tornando o ovo mais calórico e menos nutritivo. Produtos com mais de 50% de cacau costumam ter menos açúcar e maior sensação de saciedade.

Saiba mais:
A regulamentação do chocolate no Brasil é definida pela Instrução Normativa nº 76, de 2020, da Anvisa, que estabelece os padrões de identidade e qualidade. Produtos rotulados como “sabor chocolate” são classificados tecnicamente como “similares” ou “compostos” e podem usar gorduras vegetais como óleo de palma, palmaiste ou gordura de coco em substituição à manteiga de cacau. Para não ser enganado, o consumidor deve ler a lista de ingredientes: o chocolate verdadeiro traz “manteiga de cacau” ou “massa de cacau” nas primeiras posições, enquanto o “sabor chocolate” costuma listar “açúcar” e “gordura vegetal” antes de qualquer derivado de cacau. Dados do setor mostram que, durante a Páscoa, a venda de ovos “sabor chocolate” cresce até 30% em relação ao restante do ano, aproveitando-se da confusão visual nas prateleiras. Além disso, desde 2018, a Procuradoria da República já recomendou fiscalização mais rigorosa sobre essas práticas, considerando que podem configurar propaganda enganosa. A dica final: desconfie de preços muito baixos e prefira produtos com certificação de origem ou selo de qualidade.

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