Pinhão pode ficar mais raro e caro nas mesas catarinenses neste inverno

Publicado em: 2 de abril de 2026

Pinhão pode ficar mais raro e caro nas mesas catarinenses neste inverno
Desenv Sustentabilidade Ambiental

Safra na Serra deve cair 32%, e combinação de ciclo natural da araucária com extremos climáticos explica a redução

A colheita do pinhão começou no último dia 1º de abril em Santa Catarina, mas a expectativa para este ano é de uma safra significativamente menor. Segundo a Epagri, a previsão é colher 3,7 mil toneladas nos 18 municípios da Serra, uma queda de 32% em relação às 5,4 mil toneladas de 2025. A redução tem relação com o ciclo bienal da araucária, que tende a produzir menos após um ano de safra mais carregada, mas os extremos climáticos também influenciaram, principalmente na polinização.

Com menos produto disponível, o preço pago ao produtor deve se manter ou até subir, ficando acima da média de R$ 6,44 por quilo registrada no ano passado. Em contrapartida, se o valor final nos mercados for muito baixo, a coleta pode diminuir, já que o trabalho extrativista de subir nas araucárias se torna menos compensador. A estimativa é que a produção total de 2026 movimente algo em torno de R$ 32 milhões na economia da Serra.

A importância da iguaria vai além do prato: cerca de 10 mil famílias rurais da região têm no pinhão uma fonte de renda. Em cidades como Painel, reconhecida como Capital Catarinense do Pinhão, o extrativismo envolve aproximadamente 80% das famílias rurais. A tradição passa de geração em geração e também movimenta o turismo, com a 36ª Festa Nacional do Pinhão marcada para acontecer em Lages de 29 de maio a 7 de junho.

Saiba mais:
O consumo do pinhão é uma herança ancestral: a araucária (Araucaria angustifolia) é uma planta que existe há cerca de 200 milhões de anos, remontando à época dos dinossauros. No Sul do Brasil, a Floresta com Araucárias como a conhecemos hoje formou-se após o fim do último período glacial, há cerca de 11,7 mil anos. Povos indígenas como os Kaingang e os Xokleng já utilizavam a semente como base de sua alimentação. Além de SC, o Paraná também é um grande produtor, com safra anual superior a 9 mil toneladas. A araucária, no entanto, é uma espécie ameaçada de extinção, e pesquisas projetam uma perda de até 84% de seu habitat até 2090 por conta das mudanças climáticas. Por lei estadual em Santa Catarina, a colheita do pinhão é permitida apenas entre abril e junho, período que respeita o ciclo reprodutivo da árvore. Rico em amido, carboidratos e vitaminas do complexo B, o pinhão é altamente energético e tradicionalmente consumido cozido, assado ou em pratos típicos como o entrevero e a paçoca. A coleta ainda é feita de forma artesanal: muitos produtores sobem nas araucárias com técnicas herdadas dos antepassados, usando cintas de segurança para evitar quedas. Além do valor econômico, o pinhão desempenha papel ecológico fundamental, pois serve de alimento para diversas espécies da fauna nativa, como a gralha-azul, que também ajuda na dispersão das sementes.

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