Publicado em: 31 de março de 2026
Instituição destaca que 25% a 30% do petróleo mundial e 20% do gás natural liquefeito passam pelo estreito de Ormuz, um dos maiores gargalos da história
A escalada da guerra no Oriente Médio impõe um novo choque à economia global e agrava as perspectivas de nações que ensaiavam recuperação, segundo artigo do Fundo Monetário Internacional (FMI) publicado nesta segunda-feira (30). A instituição classifica o impacto como “global, mas assimétrico”, com efeitos mais severos sobre importadores de energia, países de baixa renda e economias com poucas reservas internacionais.
O fechamento do estreito de Ormuz e os danos à infraestrutura na região criam um dos maiores gargalos da história do mercado global de petróleo, de acordo com o Fundo. Cerca de 25% a 30% do petróleo mundial e 20% do gás natural liquefeito (GNL) passam por aquela via, elevando custos de combustível e insumos para grandes importadores da Ásia e da Europa. A interrupção no envio de fertilizantes – um terço do comércio global do produto transita por Ormuz – acende alerta para os preços de alimentos, em um momento que coincide com o início da temporada de plantio no Hemisfério Norte.
Nos mercados financeiros, a guerra desestabilizou ativos: bolsas globais caíram, os juros dos títulos subiram em economias avançadas e a volatilidade aumentou, apertando as condições financeiras no mundo. Para as economias de baixa renda, reservas escassas e acesso restrito a capitais tornam o choque ainda mais perigoso, diante do encarecimento das contas de importação de combustível, fertilizantes e alimentos.
Saiba mais:
O estreito de Ormuz, localizado entre o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã, é a única passagem marítima para grande parte dos produtores de petróleo do Oriente Médio. Sua vulnerabilidade já havia sido testada em crises anteriores, como durante a guerra Irã-Iraque nos anos 1980 e após os ataques a petroleiros em 2019. Desta vez, a paralisação prolongada pode reconfigurar cadeias logísticas globais, forçando uma aceleração na busca por rotas alternativas, como o oleoduto transarábico e corredores terrestres que escoariam petróleo do Golfo para o Mar Vermelho. Países asiáticos, especialmente China e Índia, já articulam medidas para diversificar fornecedores, enquanto a União Europeia revisa seus planos de transição energética sob pressão dos preços. Analistas apontam que, se o bloqueio persistir, o barril de petróleo poderá atingir patamares não vistos desde os choques da década de 1970, com efeitos recessivos sobre a economia global e possíveis desdobramentos inflacionários de longo prazo.