Guerra no oriente médio dispara preço de fertilizantes e preocupa agronegócio

Publicado em: 22 de março de 2026

Guerra no oriente médio dispara preço de fertilizantes e preocupa agronegócio

Bloqueio no Estreito de Ormuz e restrições da China elevam custos do setor, que depende de 90% dos insumos importados.

O setor de fertilizantes é um dos mais impactados pela escalada do conflito no Oriente Médio. Com a China, maior fornecedora do Brasil, restringindo suas exportações, o agronegócio brasileiro enfrenta uma alta expressiva nos preços dos insumos desde o início da guerra. A dependência nacional é crítica: 90% dos fertilizantes utilizados nas lavouras vêm do exterior.

A vantagem competitiva do Brasil, que consegue realizar duas colheitas por ano graças ao clima tropical e à inovação tecnológica, está diretamente ligada ao uso intensivo desses insumos. A produção interna de fertilizantes não acompanhou o crescimento acelerado da agricultura nas últimas três décadas, tornando o país vulnerável a choques externos, especialmente em relação aos nutrientes nitrogênio, fósforo e potássio.

A cadeia de suprimentos enfrenta um gargalo logístico crítico com o bloqueio no Estreito de Ormuz, por onde passam as exportações de grandes fornecedores como Irã e Catar. Esse estrangulamento fez os preços dos insumos dispararem no mercado internacional, elevando o custo de produção. Economistas alertam que o impacto no preço final dos alimentos dependerá da duração do conflito e da capacidade dos produtores de sustentarem os estoques para as próximas safras.

Saiba mais:
A vulnerabilidade brasileira aos fertilizantes se intensificou após a invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022, quando o país já havia enfrentado um choque de oferta e preços. Na época, o governo lançou o Plano Nacional de Fertilizantes (PNF), com a meta de reduzir a dependência externa de 85% para 45% até 2050, mas os resultados ainda são tímidos diante da escala necessária. Dados da Associação Nacional para Difusão de Adubos (Anda) indicam que o Brasil importa cerca de 96% do potássio que consome, sendo Rússia, Belarus e Canadá os principais fornecedores. O estreito de Ormuz, palco da atual tensão, é o ponto de escoamento de aproximadamente 20% do petróleo mundial e de uma parcela significativa do gás natural utilizado na produção de fertilizantes nitrogenados, conectando o Golfo Pérsico ao oceano Índico. Analistas do setor apontam que, além do conflito imediato, a combinação de estoques baixos globais e a desaceleração da economia chinesa podem prolongar o ciclo de alta dos preços, pressionando as margens dos produtores brasileiros na safra 2026/2027.

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